Uma Viagem no Tempo: A História e os Legados da Realeza Brasileira
A partir do dia 30 de outubro, às 19h, o Museu Histórico de Santa Catarina, que está sob a administração da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) no Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis, abrirá suas portas para a exposição “O Bicentenário do Nascimento de Dom Pedro II e os 180 Anos de Sua Passagem por Santa Catarina”. O evento reunirá um acervo que inclui porcelanas, cristais, medalhas, ordens honoríficas e documentos raros, todos pertencentes à realeza e à aristocracia. A entrada será gratuita, e o busto de Dom Pedro II, doado por Plinio Verani, será inaugurado na mesma ocasião.
A mostra promete uma profunda imersão na história do Império do Brasil. O Palácio Cruz e Sousa, que foi transformado em Paço Imperial há 180 anos, acolheu o Imperador Dom Pedro II, fazendo de Florianópolis temporariamente a capital do Império. A curadoria da exposição é de responsabilidade do advogado, pesquisador e escritor André Luiz Rigo, conhecido no Instagram pelo perfil @barao_de_perdizes.
Os visitantes poderão explorar a exposição de terça a sexta-feira, das 10h às 17h30, e aos sábados, das 10h às 13h30. O museu permanecerá fechado às segundas e domingos.
O Impacto da Realeza na Cultura Brasileira
A Independência do Brasil, declarada em 7 de setembro de 1822, e a coroação de Dom Pedro I como o primeiro Imperador, em 1º de dezembro do mesmo ano, deram continuidade às transformações iniciadas por seu pai, o rei Dom João VI, em 1808. A presença da Família Real Portuguesa e, posteriormente, da Família Imperial Brasileira, provocou mudanças significativas no Brasil, desde a criação de instituições até a revolução nos costumes sociais, entre eles os hábitos alimentares.
Antes da chegada da realeza, a população utilizava utensílios de barro e metal para suas refeições. Com a nova aristocracia, as famílias nobres começaram a solicitar a fina porcelana decorada com monogramas, brasões e coroas, transformando a cultura da mesa.
Com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, muitos desses objetos de valor histórico foram saqueados ou destruídos. Outros, no entanto, tiveram a sorte de serem preservados através de gerações, enquanto muitos foram leiloados ou dispersados ao redor do mundo. Hoje, esses itens raros enriquecem museus nacionais e internacionais, bem como coleções particulares. As suntuosas porcelanas chinesas e europeias, por exemplo, garantem a preservação da história e oferecem uma perspectiva única sobre os costumes alimentares do império.
Santa Catarina e a Aristocracia Brasileira
A história de Santa Catarina também reflete essa transformação. O estado foi o lar de barões e membros da aristocracia brasileira que, mesmo sem títulos, contribuíram significativamente para a coroa e o Império, recebendo ordens honoríficas em reconhecimento aos seus serviços. O papel de Santa Catarina durante o período imperial foi tão relevante que se tornou a primeira província a receber os imperadores do Brasil. Em 12 de outubro de 1845, Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina, junto a cortesãos, desembarcaram na cidade do Desterro, atual Florianópolis, onde o Palácio Cruz e Sousa foi transformado em Paço Imperial.
Embora não haja registros das porcelanas e cristais utilizados nas recepções, o intuito da exposição é promover conhecimento e aprofundar a compreensão sobre a história do Brasil. Este ano, celebra-se o bicentenário de nascimento de Dom Pedro II, assim como os 180 anos de sua passagem por Santa Catarina, momentos cruciais que moldaram nosso passado e que serão relembrados nesta significativa mostra.


