Estímulo Elétrico Craniano: Tratamento Inovador
Recentemente, um pedido para que o presidente Jair Bolsonaro fosse submetido ao tratamento de estímulo elétrico craniano foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela execução penal. O procedimento, que deve ser realizado três vezes por semana sob a supervisão de um psicólogo e neurocientista, teve início durante uma internação em abril de 2025, segundo os advogados do presidente. Para eles, a técnica já demonstrou resultados positivos, ajudando a minimizar sintomas como insônia, ansiedade e crises persistentes de soluços.
O Que é o Estímulo Elétrico Craniano?
O estímulo elétrico craniano, frequentemente referenciado pela sigla CES, é uma técnica de neuromodulação que utiliza microcorrentes elétricas de baixa intensidade. A aplicação é feita de forma não invasiva e indolor, geralmente com o uso de pequenos clipes fixados nas orelhas. O principal objetivo é regular a atividade cerebral, buscando restaurar o equilíbrio nos circuitos que controlam funções como humor, sono e a regulação do sistema nervoso.
Diferentemente dos medicamentos que atuam de maneira sistêmica, a neuromodulação foca na comunicação elétrica entre as células nervosas, reestruturando suas interações. O Dr. Fábio Bechelli, membro da Society for International Neuropsychophysics Optimization e da Brazil Health, explicou que essa técnica pode impactar a liberação de neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para o controle do humor e da ansiedade.
Estudo Revela Melhoras em Pacientes com Depressão
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) realizaram um estudo clínico com indivíduos diagnosticados com depressão que não respondem a tratamentos convencionais. O intuito era verificar se a estimulação cerebral poderia reativar áreas do cérebro que funcionavam de forma reduzida, uma condição muitas vezes ligada à depressão.
Durante o estudo, participantes passaram por sessões de estimulação cerebral rápida, conhecidas como theta-burst, três vezes ao dia, ao longo de três semanas. Cada sessão durou cerca de seis minutos, com intervalos entre elas. Os resultados mostraram que 52% dos pacientes que receberam o tratamento relataram uma melhora significativa dos sintomas, enquanto apenas 22% do grupo que recebeu tratamento simulado apresentaram melhorias.
Este estudo seguiu rigorosos padrões científicos, com um método randomizado, controlado e triplo cego, considerado o padrão ouro em pesquisas clínicas. Os autores concluíram que a neuromodulação representa uma alternativa promissora como complemento para o tratamento da depressão, especialmente em casos que resistem a terapias medicamentosas.
Neuromodulação como Alternativa para Insônia
Além da depressão, a neuromodulação está sendo investigada como uma abordagem complementar no tratamento da insônia, um distúrbio que impacta diretamente a função cerebral. Um estudo publicado no Journal of Sleep Research em 2023 envolveu adultos com sintomas de insônia, que utilizaram um dispositivo de estimulação elétrica craniana por 30 minutos, duas vezes ao dia, durante um período de duas semanas.
A pesquisa avaliou diversos fatores, incluindo a qualidade do sono, sintomas emocionais e atividade cerebral. Os resultados indicaram que aqueles que usaram o dispositivo ativo apresentaram uma redução significativa dos sintomas depressivos e melhorias no bem-estar físico, além de alterações benéficas na atividade cerebral.
Tratamento para Soluços Persistentes
O soluço, que resulta de contrações involuntárias do diafragma controladas pelo sistema nervoso, geralmente desaparece espontaneamente. No entanto, quando se torna persistente por mais de 48 horas, pode afetar a qualidade de vida do paciente. Casos severos podem levar a distúrbios do sono, perda de peso, fadiga e estresse psicológico.
Embora a maioria dos tratamentos envolva medicamentos, nem todos os pacientes apresentam resposta satisfatória a essas terapias. Desta forma, técnicas como a neuromodulação surgem como alternativas. Estudos indicam que a estimulação neural pode regular os sinais nervosos que controlam as contrações involuntárias, diminuindo assim a intensidade e a frequência dos soluços persistentes.
Importância do Acompanhamento Médico
É essencial ressaltar que a neuromodulação não substitui tratamentos convencionais, mas pode ser utilizada como um complemento, especialmente em casos em que os sintomas persistem, mesmo com a utilização de medicamentos. Entre os principais benefícios relatados nos estudos estão a melhora da qualidade do sono, redução da ansiedade, alívio de sintomas depressivos e a regulação da atividade cerebral.
Por ser um procedimento não invasivo e com baixo risco de efeitos colaterais, a neuromodulação tem se tornado cada vez mais comum em abordagens de neurologia e psiquiatria, oferecendo esperança a muitos que buscam alívio para suas condições.


