Iniciativas que Transformam o Ambiente Escolar
O Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar, implantado nas unidades da rede estadual em Sorocaba, tem se mostrado uma solução eficaz para melhorar a convivência entre alunos. Essa estratégia abrange 80 escolas estaduais da região, com um enfoque especial em nove delas, que apresentam índices elevados de conflitos.
Segundo dados recentes da Diretoria de Ensino, em 2025 foram registradas 682 ações de prevenção e 152 de acolhimento. A maioria destas ações visa lidar com desafios relacionados à convivência, violência interpessoal e indisciplina, temas que afetam diretamente o ambiente escolar.
Papel dos Educadores e a Importância do Diálogo
Nas escolas, os professores orientadores de convivência desempenham um papel fundamental, organizando e supervisionando atividades focadas no diálogo entre estudantes. Entre as iniciativas estão as rodas de conversa e mediações destinadas a resolver conflitos no ambiente escolar.
Gustavo Lacava, professor e membro do programa Conviva, destaca que cada escola conta com um vice-diretor que atua como o ponto focal da iniciativa. “Algumas instituições possuem professores orientadores de convivência. Essa estrutura foi pensada para promover o desenvolvimento integral dos alunos, garantindo que as escolas sejam espaços seguros e acolhedores”, explica.
Analisando a Escola Estadual Antônio Vieira, localizada na zona oeste de Sorocaba, observa-se que o programa já se integrou à rotina da escola. Alunos relatam uma melhoria significativa na convivência desde que as ações começaram.
De acordo com a Diretoria de Ensino, cerca de 51 mil estudantes estão matriculados na rede estadual sob a supervisão da regional de Sorocaba.
Expansão do Programa para a Rede Municipal
A rede municipal de ensino está seguindo o exemplo e implementando um modelo semelhante, que tem como foco a conciliação e a formação de alunos mediadores. Em Sorocaba, 32 diretores já participaram de capacitações através do programa “OAB vai à Escola”, que ensina técnicas de conciliação utilizadas no sistema judiciário, adaptadas para o ambiente escolar.
A proposta tem como objetivo envolveu os próprios alunos na mediação de pequenos conflitos do cotidiano escolar. Crianças que estão na faixa etária de sete a 11 anos aprenderão sobre empatia, escuta ativa e resolução pacífica de conflitos.
Autonomia e Diálogo: Os Fundamentos do Novo Projeto
O projeto, intitulado “De Pequeno é que se Aprende a Conciliar”, é voluntário e será supervisionado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Rosane Sanches Antunes, idealizadora da iniciativa, enfatiza que, com essa abordagem, os alunos terão a oportunidade de resolver seus próprios conflitos com autonomia. A proposta visa criar salas de conciliação e desenvolver habilidades de mediação dentro das escolas.
“É importante ressaltar que, mesmo sendo crianças, sempre haverá um professor acompanhando o processo na sala de conciliação, anotando e monitorando, mas sem interferir. Assim, o conflito é abordado de maneira positiva, como uma chance para que cada um expresse suas opiniões”, explica Rosane.
A ideia central é incentivar uma cultura de diálogo desde a infância, preparando os estudantes para lidarem com conflitos de maneira pacífica ao longo de suas vidas.
Conclusão
As iniciativas de rodas de conversa e mediação de conflitos nas escolas de Sorocaba estão provando ser ferramentas valiosas para o fortalecimento da convivência pacífica. Ao promover um ambiente mais acolhedor e seguro, essas ações não só beneficiam os alunos, mas também contribuem para a formação de cidadãos mais preparados para o diálogo e a resolução construtiva de conflitos.


