Como Ocorreu o Esquema de Fraude Bilionária
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deram um passo decisivo ao cumprir nove mandados de prisão preventiva contra um grupo suspeito de tentar desviar a impressionante quantia de R$ 845 milhões da herança de João Carlos Di Genio, o fundador do Grupo Unip/Objetivo. A operação, que ocorre em meio a um cenário de crescente atenção às fraudes financeiras no Brasil, revela um esquema complexo de falsificações e manipulações que teve início em novembro de 2021, poucos meses antes da morte do empresário.
Os principais alvos das investigações incluem Anani Candido de Lara, sócio da Colonizadora Planalto Paulista, que é considerado a figura central na fraude. Ele é suspeito de confeccionar documentos falsos e de participar ativamente da cadeia contratual fraudulenta. O MPSP indicou que Lara estava diretamente envolvido na elaboração dos documentos que sustentavam a fraude.
Outro acusado, Luiz Teixeira da Silva Júnior, detentor de 95% do capital social da Colonizadora, teria fornecido respaldo financeiro e jurídico para a prática criminosa. A notoriedade de Teixeira cresceu após sua vinculação a uma operação da Polícia Federal em 2019, que investigou suas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura também figura entre os suspeitos, sendo identificada como a suposta “juíza arbitral” da Fonamsp, entidade que, segundo as investigações, foi utilizada para produzir sentenças arbitrais simuladas. Essas sentenças culminaram em cobranças milionárias fraudulentas.
Outros Envolvidos no Esquema e suas Funções
Rubens Maurício Bolorino, por sua vez, é mencionado como testemunha nos contratos falsificados, acrescentando uma camada de veracidade aparente ao esquema. Wagner Rossi Silva é visto como o operador logístico, encarregado do manuseio de documentos fraudulentos e da realização de diligências em cartórios para legitimar o processo.
Além deles, Patricia Alejandra Ormart Barreto e Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira foram identificados como figuras importantes na manipulação de notificações fraudulentas e na facilitação das negociações ilegítimas, respectivamente. Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat teve participação na estruturação de documentos utilizados na arbitragem.
Por fim, Carlos Xavier Lopes é suspeito de estar no núcleo financeiro do grupo, atuando na dissimulação da origem e destino dos recursos. As investigações ainda levaram a 15 mandados de busca e apreensão, que incluem Luiza Marcsicana de Freitas e as empresas Colonizadora Planalto Paulista e Fonamsp, entidade que, na prática, funcionava como uma fachada para as fraudes.
Documentos Falsificados e a Exigência de Pagamento
A dinâmica do golpe começou com a falsificação de documentos que simulavam um suposto compromisso de compra e venda entre Di Genio e a Colonizadora Planalto Paulista. Laudos periciais confirmaram que as assinaturas do empresário e de seu procurador foram falsificadas por meio de técnicas como decalque e montagem.
O esquema envolveu a criação de contratos para 448 imóveis localizados em Piraju, no interior de São Paulo, uma nota promissória de R$ 635 milhões e termos de entrega de posse, todos adulterados com assinaturas falsas. Em agosto de 2024, o grupo notificou o espólio de Di Genio exigindo o pagamento da dívida fictícia, totalizando R$ 845 milhões. Diante do desconhecimento do negócio pela inventariante, a tentativa de induzir o Poder Judiciário a erro através de um pedido de habilitação de crédito levou à desconstituição da reserva do valor pelo Tribunal de Justiça.
A promotoria destacou que os suspeitos, que possuem um histórico criminal extenso, se valeram de fraudes processuais e simulações de procedimentos arbitrais para fazer com que suas cobranças ilegais parecessem legítimas. Este caso lança luz sobre a importância de vigilância contínua contra fraudes cada vez mais sofisticadas no cenário empresarial brasileiro.


