Trajetória e legado na Secretaria de Cultura
Após cinco anos e meio à frente da Secretaria de Cultura de Sorocaba, Luiz Antonio Zamuner deixou oficialmente o cargo em 15 de maio. A pasta passa a ser comandada por Thiago Delmonde Ribeiro, que atuava interinamente. Mesmo fora da secretaria, Zamuner permanece no governo do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), agora dedicado a projetos estratégicos na Secretaria de Governo.
Em entrevista exclusiva ao jornal Cruzeiro do Sul, Zamuner fez um balanço da sua passagem pela cultura sorocabana e relembrou suas raízes pessoais com as artes. “Eu sempre fui do diálogo. Sempre recebi todo mundo”, resume ele, destacando a importância da escuta e da abertura em sua gestão.
Origem da paixão pela cultura e pilares da gestão
Formado em cirurgia-dentista, Zamuner contou que o interesse pela cultura vem de longa data, muito antes da vida pública. Apaixonado por cinema, música e jornalismo, ele recordou a influência do tio-avô, Pio Zamuner, produtor e diretor de fotografia que trabalhou com Amácio Mazzaropi, que o aproximou do universo artístico. “Quando o Manga me convidou para ser secretário, eu já tinha sido presidente da Fundec e tinha essa vivência”, acrescenta.
Durante seu mandato, a gestão foi estruturada em quatro pilares: cultura acadêmica, erudita, popular e de massa. O foco dos investimentos públicos esteve principalmente nas culturas popular e erudita, buscando valorizar as expressões locais e tradicionais.
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Fonte: ctbanews.com.br
Principais iniciativas e fortalecimento da cultura local
Dentre os pontos destacados por Zamuner está a parceria reforçada com a Fundec, além da participação da Orquestra Sinfônica de Sorocaba em todas as edições do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Na cultura popular, ele ressaltou ações voltadas ao tropeirismo, à memória ferroviária e às tradições locais. “Cultura popular gera riqueza. A gente conseguiu mostrar isso”, afirma.
Um projeto que chamou atenção foi a criação de espaços gratuitos para exposições de artistas locais em shoppings da cidade, sem uso de verba pública. A iniciativa resultou em mais de 200 exposições, colocando artistas populares em contato direto com o mercado, especialmente importante no período pós-pandemia.
Eventos, patrimônio e acessibilidade
Sobre eventos de grande porte, Zamuner defendeu o modelo da Festa Julina de Sorocaba, que se consolidou sem uso direto de recursos públicos e gerando retorno financeiro para entidades assistenciais. “A cultura de massa pode acontecer sem investimento público. A festa virou lucrativa para as entidades e acessível para as famílias”, explica.
Na área do patrimônio histórico, um dos grandes desejos do ex-secretário foi transformar o Fórum Velho em uma pinacoteca municipal. Ele reconhece a dificuldade jurídica do imóvel, que pertence ao Estado, mas acredita no avanço do projeto com apoio da iniciativa privada e foco em acessibilidade.
A preocupação com acessibilidade ganhou um significado pessoal durante sua gestão. Após enfrentar problemas de mobilidade que o levaram a usar cadeira de rodas e muletas, Zamuner passou a enxergar com mais sensibilidade as barreiras em prédios públicos. “Eu senti na pele o que é não ter acessibilidade. Isso mudou completamente minha visão sobre os prédios públicos”, relata, ressaltando a importância de adaptações em espaços culturais e históricos da cidade.
Legado e futuro da cultura em Sorocaba
Ao encerrar sua passagem pela Secretaria de Cultura, Zamuner se diz realizado. “Tive o privilégio de ajudar a cidade numa área pela qual tenho o máximo respeito”, declara. Ele também destacou o crescimento da economia criativa e a consolidação da cultura como setor econômico relevante. “A cultura gera riqueza. Hoje isso está mais enraizado nas pessoas”, conclui.


