Decisão Judicial e Volta ao Cargo
O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), reverteu o afastamento de Rodrigo Manga (Republicanos) da Prefeitura de Sorocaba, no interior de São Paulo, nesta terça-feira, 31. Com essa medida, Manga, que estava fora de sua função desde novembro do ano anterior, retoma a gestão municipal em meio a um cenário de denúncias sérias.
No último mês, Manga enfrentou acusações da Procuradoria Regional da República, que o denunciou por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato, contratações ilegais e fraude em licitações. Sua defesa, por sua vez, nega todas as alegações feitas contra ele.
Operação Copia e Cola e as Acusações
A denúncia contra o prefeito está vinculada à Operação Copia e Cola, que investiga Manga e seus aliados por possíveis desvios de recursos destinados à Saúde do município de Sorocaba. A Polícia Federal realizou a segunda fase dessa operação em novembro, quando o Tribunal Regional Federal da 3ª Região acatou o pedido de afastamento, impondo um período de 180 dias. O argumento para essa ação foi o potencial risco de que Manga pudesse interferir nas investigações, especialmente uma vez que indicativos de continuidade das supostas irregularidades se estendiam até 2025.
A decisão de afastamento, fundamentada em “robustos indícios”, apontava Manga como líder e principal beneficiário do suposto esquema fraudulento. Tal determinação foi mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) até a recente revogação.
Justificativa do Ministro e Implicações Políticas
Ao decidir pelo retorno de Manga, Nunes Marques destacou que o único elemento recente que poderia justificar a continuidade do esquema criminoso foi a assinatura de um contrato pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (SAAE) em junho de 2025. O ministro observou que o SAAE é uma autarquia, ou seja, uma entidade da administração indireta, que não integra diretamente o Executivo municipal. Com isso, Marques argumentou que a decisão de afastamento poderia constituir uma “intervenção excessiva” na esfera administrativa e política da cidade, especialmente sem a apresentação de evidências concretas sobre riscos à ordem pública ou à continuidade da persecução penal.
“A manutenção da medida, no presente caso, constitui, na perspectiva atual, uma intervenção excessiva”, escreveu Nunes Marques em sua decisão. Essa perspectiva abre espaço para discussões sobre os limites da atuação judicial em questões políticas locais.
O Prefeito e Seu Perfil Público
Rodrigo Manga é conhecido por seu carisma, especialmente em sua presença nas redes sociais, onde se destaca no TikTok com vídeos bem-humorados que retratam suas ações à frente da prefeitura. Além disso, o político já manifestou interesses em candidaturas para cargos como o governo do Estado, o Senado e até a Presidência da República, ampliando sua visibilidade e conexão com o eleitorado.
O desenrolar desse caso promete ser acompanhando de perto pela população e pela mídia, principalmente diante da gravidade das acusações e da relevância que a gestão municipal possui para a comunidade de Sorocaba. O retorno de Manga à prefeitura poderá impactar não só as investigações em andamento, mas também a dinâmica política local nos próximos meses.


