Flipei 2026: Integração Entre Esporte e Literatura
A Festa Literária Pirata das Editoras Independentes, conhecida como Flipei, está prestes a sua terceira edição, que acontecerá de 5 a 9 de agosto em várias localidades de São Paulo. O festival, que já conquistou o público em edições anteriores, se destaca por levar a cultura a espaços fora do eixo do mercado editorial tradicional e, desta vez, traz novidades que incluem experiências esportivas, como partidas de pebolim e boxe popular. A informação foi confirmada pelo portal Publishnews.
No último evento, realizado em 2025, mais de 50 mil pessoas participaram, o que resultou em um aumento significativo nas vendas das editoras presentes. Para a edição de 2026, a proposta de capilarização cultural se mantém, com atividades programadas para o Galpão Cultural Elza Soares, o Café Colombiano e o bar Sol y Sombra, além de ações que alcançam cidades do interior do estado de São Paulo.
A escolha das locações está alinhada ao contexto urbano em transformação da região central, que enfrenta questões de infraestrutura e disputas territoriais. A organização do evento destaca que a construção do novo centro administrativo do governo estadual tem afetado diversas iniciativas culturais na área, incluindo o Teatro de Contêiner e o coletivo Tem Sentimento, que têm lidado com processos de desapropriação e a relocação de moradores da Favela do Moinho.
Entre as inovações da programação, o pebolim é trazido como uma referência histórica e política. O jogo, popularizado pelo poeta anarquista Alejandro Finisterre durante a Guerra Civil Espanhola, simboliza a convivência coletiva e a capacidade de improviso em tempos difíceis. Por outro lado, o boxe popular se destaca como uma atividade que associa saúde, disciplina e organização comunitária, promovendo um diálogo entre o esporte e a formação política.
A Flipei também continua com o projeto Estaleiros Pirata, uma iniciativa de ocupação cultural em cidades do interior e litoral paulista. O objetivo é fortalecer editoras independentes e coletivos locais, ampliando a distribuição de livros e promovendo conexões entre as comunidades fora da capital.
Antes da abertura oficial em São Paulo, o festival realizará uma série de ações formativas em Sorocaba, Carapicuíba, São Carlos e Mairiporã, que incluirão feiras de livros, oficinas e encontros entre coletivos culturais. Essas atividades, todas gratuitas, são voltadas à troca de experiências e à formação de novos leitores.
A programação ainda contará com o espaço Zona Piratinha, projetado especialmente para o público infantil. Nesta área, as atividades serão fundamentadas em perspectivas indígenas e afro-brasileiras, além de disponibilizar estrutura de acessibilidade com tradução em Libras, audiodescrição e uma equipe capacitada para atender pessoas com deficiência.
A curadoria do evento ficará a cargo de Cidinha da Silva, Jéssica Balbino, Pedro Silva e Marcos Morego, que reunirão autores, jornalistas, pesquisadores e editores comprometidos com a produção cultural independente. Em edições passadas, o festival já teve a honra de receber personalidades como Ailton Krenak, Conceição Evaristo, Silvia Federici, Rita Segato, Jessé Souza, Guilherme Boulos, Vladimir Safatle e Juliana Borges.


