Escorpiões: A Realidade Alarmante em 2025
O Brasil registrou um total de 225.695 casos de picadas por escorpiões em 2025, conforme os dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde. Este aracnídeo foi responsável por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos, que incluem serpentes, aranhas, lagartas e abelhas. Embora a maioria das ocorrências seja considerada leve, com 89% dos casos sem gravidade, as crianças se destacam como a população mais vulnerável. Entre os 265 óbitos registrados devido ao envenenamento — um número alarmante que dobrou em relação ao ano anterior —, mais de 20% envolviam menores de 10 anos.
As estatísticas também revelam que 55% das vítimas que se autodeclaram pardas enfrentam essas situações, o que se reflete em 62% das mortes. Esses dados refletem as desigualdades sociais que afetam esse grupo. Segundo informações do Painel Cor ou Raça no Brasil do IBGE, 56,8% da população parda e 16,1% da população preta residem em favelas e comunidades urbanas, áreas com infraestrutura precária.
A Proliferação de Escorpiões e o Risco Urbano
A ausência de infraestrutura adequada é um fator crucial para a disseminação de escorpiões nas áreas urbanas, onde mais de 66% dos acidentes ocorrem. Esses aracnídeos encontram abrigo em redes de águas pluviais e esgotos, que favorecem a proliferação de baratas, seu principal alimento. Além disso, a acumulação de lixo e entulho potencializa o risco de picadas.
No contexto brasileiro, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) se destaca como o responsável pela maioria dos casos graves de envenenamento. Essa situação deve-se à sua habilidade em se adaptar a ambientes modificados pela ação humana. É interessante notar que as fêmeas da espécie têm a capacidade de se reproduzir sem a necessidade de um macho, por meio da partenogênese, o que contribui para a rápida multiplicação da população de escorpiões.
Características das Vítimas e Distribuição Geográfica dos Acidentes
Em 2025, as notificações de picadas mostram que 51% das vítimas eram do sexo feminino, enquanto 49% eram do sexo masculino. A faixa etária mais afetada foi a de adultos entre 20 e 29 anos, com quase 34 mil registros ao longo do ano. As mãos e dedos foram as partes do corpo mais atingidas, representando 41,26% dos casos, seguidos pelas pernas e pés, com 36,9%. Os acidentes costumam ocorrer durante atividades cotidianas, como ao lidar com objetos em quintais e depósitos; por isso, é essencial o uso de equipamentos de proteção, como luvas grossas e calçados fechados.
Geograficamente, o Sudeste e o Nordeste se destacam com mais de 83% das notificações. Em termos absolutos, São Paulo e Minas Gerais são os estados com o maior número de casos, com 50.178 e 42.635 notificações, respectivamente. No entanto, Alagoas apresenta o maior impacto proporcional, com uma taxa superior a 440 acidentes por 100 mil habitantes, resultado da alta presença do escorpião-do-nordeste (Tityus stigmurus) na região.
Como Proceder em Caso de Picada de Escorpião
A primeira recomendação após uma picada é buscar atendimento médico imediatamente, mesmo que os sintomas iniciais pareçam leves. A rapidez no atendimento pode ser decisiva para o desfecho clínico; a taxa de letalidade aumenta de 0,10 entre os pacientes atendidos na primeira hora para 0,13 entre aqueles que esperaram de uma a três horas para receber socorro.
Não é aconselhável aplicar produtos, nem realizar torniquetes ou compressas de gelo na área afetada, pois o frio pode intensificar a dor. O ideal é lavar o local com água e sabão e, se possível, aplicar compressas mornas para aliviar o desconforto.
Apesar do elevado número de picadas registradas em 2025, apenas cerca de 5% das pessoas afetadas necessitaram de soro antiescorpiônico ou antiaracnídico, utilizados para tratar quadros moderados ou graves de envenenamento por escorpiões do gênero Tityus. Produzidos pelo Instituto Butantan, esses antivenenos estão disponíveis gratuitamente à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


