Debates Essenciais para o Futuro das Cidades
No dia 11 de abril, Sorocaba recebeu o sexto encontro preparatório para a 3ª Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), na Usina Cultural FACENS. O evento, que reuniu profissionais da área, foi marcado por uma programação rica em painéis e oficinas que abordaram temas como patrimônio, habitação social, gestão de negócios e prevenção de desastres climáticos.
A próxima etapa preparatória está agendada para o dia 25 de abril em São José do Rio Preto. A abertura do evento contou com a participação de Rafael Ambrosio, coordenador da Comissão de Relações Institucionais do CAU/SP, que destacou a importância da descentralização das discussões. “Estamos levando essas pré-conferências para o interior e litoral do estado, para que o Conselho seja visto como uma porta de entrada para a arquitetura e urbanismo nas cidades”, afirmou Ambrosio.
A presidente do CAU/SP, Camila Moreno de Camargo, complementou: “Queremos que gestores públicos e a sociedade reconheçam nossa presença e atuação no cotidiano das cidades e nos processos de planejamento”.
Patrimônio: Uma Conexão com a Memória
O primeiro painel da manhã, intitulado “Práticas de Arquitetura e Urbanismo em Patrimônio”, trouxe à tona a apresentação de Carolina Klocker, que destacou o projeto do Parque Ferroviário de Itararé-SP, um conjunto histórico em processo de tombamento. O objetivo é criar uma série de conexões que integre as áreas norte e sul da cidade, além de resgatar a memória ferroviária através de caminhos acessíveis aos pedestres.
A arquiteta Ana Beatris Menegaldo discutiu o papel dos profissionais de arquitetura e urbanismo na política de patrimônio, apresentando as atividades do Coletivo Ponte, que é apoiado pelo CAU/SP. Graziele Bathaus, também arquiteta, compartilhou projetos de extensão da Universidade de Sorocaba (UNISO), que envolvem levantamento de imóveis e desenvolvimento de materiais lúdicos para crianças.
Cidades-Esponja: Uma Nova Abordagem para Desafios Urbanos
O segundo painel teve como foco o conceito inovador de cidades-esponja, especialmente aplicado à Bacia Hídrica do Sorocaba e Médio Tietê. Essa abordagem visa integrar a natureza ao ciclo hidrológico das áreas urbanas, permitindo que as chuvas sejam absorvidas em vez de serem apenas direcionadas aos sistemas convencionais de drenagem.
Admilson Írio Ribeiro, professor do Instituto de Ciência e Tecnologia de Sorocaba (ICTS), enfatizou a importância de levar esse conhecimento técnico para além das instituições acadêmicas, com o intuito de mitigar os picos de vazão que impactam a mobilidade e as moradias. André Cordeiro, da Universidade Federal de São Carlos, ressaltou a necessidade de planejamento que considere as extremos climáticos, como períodos de estiagem e chuvas intensas.
Gestão de Negócios e Desafios Profissionais
No painel sobre projetos premiados, mediado por Eduardo Marconi, especialistas discutiram a realidade em que muitos profissionais estão limitados a nichos pequenos devido à falta de alternativas. Em um paralelo, a oficina conduzida por Sonia Lopes, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), ofereceu métodos para transformar uma gestão intuitiva em um modelo de negócios estruturado.
Habitação Social: Múltiplas Perspectivas Necessárias
Nabil Bonduki, arquiteto e urbanista e vereador em São Paulo, apresentou uma visão abrangente sobre a Habitação de Interesse Social (HIS), afirmando que a solução do déficit habitacional deve considerar uma abordagem multifacetada. A arquiteta Sandra Yukari Shirata Lanças compartilhou experiências de gestão e pesquisas apoiadas pelo CAU/SP, focando na criação de editais que aproximam o poder público dos projetos de regularização fundiária.
A arquiteta Aline de Lucio relatou que as pesquisas selecionadas pelo Conselho serão monitoradas e disponibilizadas para fortalecer o setor na região.
A Importância dos Pequenos Projetos
Encerrando a pré-conferência, os arquitetos Pedro Tuma e Fernanda Lie Sakano, do escritório Terra e Tuma, realizaram uma palestra que desmistificou a crença de que apenas grandes obras conferem prestígio. Tuma, em particular, mencionou o impacto positivo da Casa da Vila Matilde, um projeto de residência em um pequeno lote na zona leste de São Paulo. “Esse projeto, embora pequeno, foi crucial para a estruturação do nosso escritório”, destacou.


