A Nova Onda do Cultivo: Sorgo no Noroeste Paulista
No noroeste paulista, os agricultores estão se preparando para uma nova safra e, após a colheita da soja, a atenção se volta para o sorgo. Em Brejo Alegre (SP), por exemplo, o produtor Odair Albano já plantou a cultura, que está com aproximadamente um palmo de altura. De acordo com Albano, essa é uma alternativa viável diante das dificuldades hídricas e climáticas que têm afetado a região nos últimos anos.
O sorgo, que começa a ganhar espaço nas lavouras, representa o que os produtores chamam de “safrinha”: uma segunda chance de gerar renda. Assim que finaliza a colheita da oleaginosa, Albano não hesita em replantear a terra com sorgo, garantindo que a área não fique ociosa.
Na propriedade de Albano, são cerca de 60 hectares destinados ao sorgo granífero, que é utilizado majoritariamente na alimentação de aves, suínos e bovinos. A expectativa é que a colheita ocorra em três a quatro meses, com a produtividade e o sucesso da safra dependendo diretamente das condições climáticas.
Benefícios do Sorgo em Tempos de Mudança Climática
Tradicionalmente mais comum na safrinha, o sorgo está conquistando espaço também durante o verão. Essa mudança se deve à sua maior resistência à seca em comparação ao milho, o que tem atraído o interesse de muitos produtores, especialmente considerando as irregularidades climáticas que têm se intensificado nos últimos anos.
Isabela Redigolo, engenheira agrônoma, explica que o crescimento do cultivo de sorgo está relacionado aos desafios atuais enfrentados pelos agricultores, como o aumento nos custos de produção e a escassez de água. Contudo, Isabela ressalta que, apesar de ser mais resistente, o sorgo também não é imune a condições adversas. Seu rendimento ainda depende de um manejo adequado e da ocorrência de chuvas durante o ciclo de cultivo.
Desafios e Oportunidades na Colheita do Sorgo
A paisagem em Mirandópolis (SP) apresenta um cenário diferente, onde aproximadamente 900 hectares de sorgo foram plantados em novembro, durante a safra de verão, e agora estão prontos para a colheita. Marco Antonio Bordin, que arrendou uma área de uma usina para cultivo, enfrentou dificuldades com as chuvas intensas no início do plantio, que impactaram o desenvolvimento da cultura e influenciaram a escolha da espécie a ser plantada.
Apesar dos desafios enfrentados, a expectativa em relação à safra de sorgo na região é otimista. No entanto, os produtores estão preocupados com uma questão crucial: a falta de infraestrutura adequada para o armazenamento do sorgo. Essa limitação nas instalações afeta diretamente a comercialização do grão e pode impactar negativamente os lucros ao final do ciclo.
Ao final de meses de trabalho árduo, são os grãos produzidos que trazem o resultado esperado. Hoje em dia, com as condições climáticas atuais, o sorgo se estabelece como uma alternativa segura, demonstrando cada vez mais sua importância e presença nas lavouras do noroeste paulista.


