Uma Experiência Cultural que Aquece o Coração
Para os visitantes do estado de São Paulo, o café transcende sua função como simples bebida diária e se torna o protagonista de um passeio repleto de significados e emoções. A Rota do Café SP é um itinerário que serpenteia por serras e vales, revelando que, por trás de cada xícara dessa bebida tão estimada, existem mãos dedicadas e histórias que ecoam por gerações.
No que diz respeito à economia paulista, o impacto vai muito além da questão emocional. De acordo com o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), vinculado à Secretaria de Turismo e Viagens do estado (Setur-SP), essa rota tem gerado um impulso considerável nos negócios locais em 2025. Impressionantes 89% dos empreendimentos relatam um aumento significativo no fluxo de turistas desde a criação do roteiro. Este crescimento é mais do que uma simples percepção: o número de visitantes cresceu, em média, 37%, resultando em um aumento de 35% no faturamento das empresas envolvidas.
A secretária da pasta, Ana Biselli, ressalta o papel do café na cultura paulista e enfatiza os resultados positivos trazidos pelas Rotas: “O café já faz parte da identidade e do cotidiano dos paulistas. Essas rotas, além de refletirem nossa relação afetiva com a bebida, dão visibilidade aos produtores locais, elevando a demanda por seus produtos e serviços, o que, consequentemente, gera novas oportunidades de emprego. Quase metade dos empreendimentos já contratou novos colaboradores”, destaca.
Entre Legado e Paixão: Duas Faces da Cultura do Café
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A Rota do Café interliga experiências únicas e complementares, incluindo a de Márcia Regina Poli Bichara, que comanda o Sítio Cafezal em Flor, em Monte Alegre do Sul, e a de Flávia Lancha, responsável pela Labareda Agropecuária, em Franca.
No Sítio Cafezal em Flor, Márcia e seu esposo, Tuffi Bichara, decidiram em 1998 que o café seria a ponte entre o campo e o consumidor. Pioneiros em turismo rural, eles transformaram suas plantações em um verdadeiro refúgio nas serras da Mantiqueira. Já Flávia Lancha, que carrega o café em seu DNA, afirma: “Sou a quarta geração de cafeicultores. Meus avós possuíam uma fazenda na região de Ribeirão Preto”. Hoje, ela lidera uma produção que conjuga a tradição familiar com a busca por excelência.
Para as duas, o café é tratado como um “ser vivo”, que exige atenção, carinho e perseverança. Enfrentando as incertezas climáticas e do mercado, a paixão é o que as mantém firmes. “Conversamos com os pés de café. Agradecemos pelos frutos que eles nos oferecem”, revela Márcia, com um sorriso no rosto.
A criação da Rota do Café simboliza o reconhecimento oficial que os produtores paulistas tanto buscavam. Flávia Lancha, uma das idealizadoras do projeto na cidade de Franca, vê a propriedade como o início de um sonho que exalta todo o estado. “As pessoas ficam impressionadas ao descobrir a complexidade que existe entre o plantio e a xícara”, observa.
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Para Márcia, a Rota trouxe um sentimento de pertencimento. “Nos sentimos valorizados e abraçados pelo nosso próprio estado. Estar em uma rota reconhecida confere segurança ao consumidor e visibilidade ao nosso trabalho silencioso de anos”, afirma a proprietária do Sítio Cafezal em Flor.
Identidade em Cada Gole de Café
Quem se aventura pela Rota do Café descobre que o solo paulista abriga diferentes nuances. Nas encostas do Circuito das Águas, o café de Márcia exibe notas frutadas, com uma doçura incomparável, resultado do amadurecimento lento. Por outro lado, na Alta Mogiana, o grão da Labareda revela um corpo robusto com notas de chocolate e caramelo.
No entanto, não é somente o sabor que conta; a sustentabilidade une essas propriedades. A fazenda de Flávia foi pioneira em certificações internacionais, como a UTZ, obtida em 2005, enquanto o Sítio Cafezal em Flor aposta em práticas inovadoras que são apresentadas aos visitantes, demonstrando que é viável aliar tecnologia à preservação ambiental.
Impacto Local e o Sonho do Futuro
A Rota do Café funciona como um motor econômico para a região. Quando um turista se hospeda no Sítio Cafezal em Flor ou visita a Labareda, ele também movimenta os restaurantes locais, as lojas de artesanato e pequenos produtores de morangos ou cachaça. É um ciclo que transforma municípios inteiros em destinos gastronômicos de destaque.
O anseio dessas produtoras é comum: que o café de São Paulo conquiste espaço nas melhores cafeterias do país e que as novas gerações se sintam orgulhosas de permanecer no campo. Afinal, como Flávia resume bem: “O café traz um aroma e um sabor especiais, tanto para quem produz quanto para quem aprecia”.


