Déficit Prejudica Atendimento aos Beneficiários
Usuários do IPE Saúde em Passo Fundo têm enfrentado sérias dificuldades para conseguir atendimento médico. A questão está diretamente ligada à significativa redução da rede credenciada, que atualmente apresenta um déficit de quase 50% no número de médicos necessários para atender à demanda da cidade.
A falta de opções tem forçado muitos beneficiários a buscar consultas particulares, mesmo estando em dia com o plano. Essa realidade é ainda mais complicada para aqueles que dependem exclusivamente do convênio, como é o caso do eletricista Luiz Fernando Ferrari.
A família de Ferrari é usuária do IPE Pames, a categoria mais completa oferecida pelo Instituto. Segundo ele, é comum encontrar médicos que, por conta de problemas financeiros, deixaram de atender pelo convênio. “Estamos tendo muita dificuldade para encontrar médicos credenciados. Um cardiologista que me atendia pelo IPE deixou o plano porque estava há seis meses sem receber pelas consultas”, relata.
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Mensalidade Alta e Retorno Insuficiente
Com uma mensalidade que gira em torno de R$ 2 mil, Ferrari acredita que o valor investido não traz um retorno proporcional. Quando não conseguem agendar consultas pelo plano, a alternativa é pagar por atendimentos particulares. Essa situação se agrava ainda mais no caso de exames médicos.
Se o médico não for credenciado ao IPE, os laboratórios não autorizam a realização dos exames pelo convênio, mesmo que o usuário tenha suas contribuições em dia. “O laboratório aceita a requisição, mas apenas na modalidade particular. Então, eu pago a consulta, a medicação e o exame. Isso é um grande absurdo. Quem paga o IPE sou eu. O laboratório deveria aceitar a receita do médico não credenciado, mas isso não acontece”, lamenta Ferrari.
Remuneração dos Médicos e Desestimulo ao Credenciamento
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Fonte: agazetadorio.com.br
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Fonte: bh24.com.br
A remuneração dos médicos credenciados ao IPE é regida pela Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), que serve como referência para a Associação Médica Brasileira. Contudo, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) alerta que os valores pagos pelo plano não estão acompanhando o aumento dos custos na área da saúde.
O presidente do Simers, Marcelo Matias, destaca que a defasagem histórica nos reajustes desestimula o credenciamento de novos médicos. “Os reajustes das tabelas do IPE são incompatíveis com os custos da saúde e com a inflação, afastando os profissionais. Mesmo após a reformulação na base de pagamento, os valores continuam insuficientes para atrair médicos. Assim que o IPE se alinhar ao que o mercado exige, teremos profissionais em abundância”, afirma Matias.
Reconhecimento do Déficit pelo IPE
Atualmente, o Instituto de Previdência do Estado (IPE) admite que apenas 357 médicos atendem pelo plano em Passo Fundo. No entanto, a estimativa é que seriam necessários pelo menos 689 profissionais para atender a demanda local. O presidente do IPE, Paulo Santos, reconheceu a deficiência: “Estamos trabalhando para suprir essas lacunas. Nosso projeto visa um incremento de 48% na rede de profissionais credenciados”.
Com aproximadamente 829 mil segurados em cerca de 300 municípios do Rio Grande do Sul, o IPE afirma que os pagamentos aos profissionais estão em dia e que os valores pagos não estão muito abaixo do que o mercado oferece. Santos faz uma comparação: “Hoje, a consulta para médicos contratados como pessoa jurídica é de R$ 108. O mercado não paga muito mais do que isso, algo em torno de R$ 130 ou R$ 140”.
Expectativas dos Usuários
Além das dificuldades enfrentadas, o presidente do IPE ressaltou que historicamente, mais da metade dos segurados eram dependentes e não contribuíam financeiramente, o que acabou afetando a sustentabilidade do plano. Diante de todas as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Instituto, os usuários exigem que o plano ofereça um atendimento compatível com o valor pago. “O IPE talvez seja o único plano no Estado que não tem inadimplência, porque a mensalidade é descontada diretamente do contracheque. A gente fica muito chateado. Paga todo mês e, quando precisa, não tem retorno”, desabafa Ferrari.


