Nova sala para artes visuais no Cultura Artística
Mais de sete décadas após o projeto original de Rino Levi, o Cultura Artística abre uma nova sala dedicada às artes visuais, localizada no primeiro andar do teatro. A área, prevista desde os anos 1950, passa a integrar permanentemente a programação da instituição. A inauguração acontece em 15 de agosto, com uma exposição inédita da artista Luísa Matsushita, em parceria com a plataforma ABERTO.
Parceria inovadora com a plataforma ABERTO
A abertura do espaço também marca o lançamento do ABERTO Solo, um formato da plataforma que foca em exposições individuais criadas em diálogo direto com arquiteturas específicas. Diferente de adaptar uma mostra pronta, essa proposta parte do edifício como elemento central da pesquisa. Filipe Assis, idealizador e diretor geral da ABERTO, destaca que o novo formato permite aprofundar o universo de um único artista em relação a arquiteturas de grande relevância.
Rino Levi e a retomada da vocação artística do teatro
O projeto original concebido por Rino Levi já previa a presença das artes visuais como parte da experiência do público. A ativação do novo espaço retoma essa ideia, especialmente após a reconstrução do edifício atingido por um incêndio em 2008. A nova sala amplia a atuação do teatro além das artes cênicas e estabelece uma relação contínua com a produção contemporânea. O painel “Alegoria das Artes”, de Di Cavalcanti, no próprio Cultura Artística, reforça essa identidade e vocação.
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Exposição “Tudo que eu sei, eu aprendi à noite”
Na nova sala, Luísa Matsushita apresenta a série “Tudo que eu sei, eu aprendi à noite”, com pinturas criadas especialmente para a mostra. Também conhecida como Lovefoxxx, a artista e vocalista do Cansei de Ser Sexy parte de lembranças do centro de São Paulo e da vida noturna do Baixo Augusta, onde viveu no início da carreira. As pinturas abstratas são construídas com camadas sucessivas de óleo, traduzindo esse repertório urbano. A exposição fica aberta ao público até 27 de setembro.
Intervenções artísticas que dialogam com o espaço
Além da sala, Matsushita instalou uma obra de 15 metros no saguão principal, concebida para ampliar a escala da exposição e estabelecer diálogo direto com os espaços de circulação do teatro. No foyer, uma mensagem escondida no reflexo do piso surpreende os visitantes com a frase “Você veio”, um detalhe pensado para quem percorre o espaço.
Colaborações com Bordallo Pinheiro e H.Stern
A estreia da nova sala também gerou parcerias que levam a pesquisa visual de Matsushita para outros suportes. Com a marca portuguesa Bordallo Pinheiro, ela desenvolveu a peça “Memória de Planta”, inspirada na folha de couve, símbolo da fábrica. Já com a joalheria H.Stern, a artista criou uma pulseira de prata com rubis, esmeraldas e safiras, a partir da pintura “Hambagu”, de 2023. Assim, a exposição inaugura não só um espaço físico, mas uma frente permanente para as artes visuais dentro da programação do Cultura Artística.


