Desafios da Meritocracia no Bônus para Professores
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), estabeleceu novas regras para o Prêmio de Desempenho Educacional (PDE) de 2026, que incluem uma bonificação de até R$ 10 mil por servidor. O modelo prioriza a meritocracia, dividindo o bônus entre desempenho da unidade escolar e assiduidade do servidor. Para a rede municipal, 58% da bonificação será baseada no desempenho da escola e 42% na assiduidade, enquanto nas creches, 20% será ligado ao desempenho e 80% à presença do profissional.
Impactos e críticas à política adotada
Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), considera a política “antipedagógica” e problemática. Ele destaca que o PDE utiliza o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como parâmetro, o que ignora desigualdades territoriais e sociais das instituições. Essa abordagem pode incentivar uma competição interna entre professores, contrariando o direito à educação e o esforço coletivo necessário.
O especialista ressalta que a educação deve ser encarada como um processo de longo prazo, e não uma competição rápida, lembrando que o acesso irrestrito e universal à educação deveria ser prioridade no debate público, especialmente em tempos eleitorais. “Educação é uma maratona”, reflete Cara, que acumula 32 anos de escolarização e reforça a necessidade de garantir pelo menos 14 anos de estudo para a população.
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Contexto nacional e compromisso com o Plano Nacional de Educação
Na esfera federal, o plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o único que menciona explicitamente o Plano Nacional de Educação (PNE), segundo levantamento do PoderData/Aya sobre as prioridades do eleitorado brasileiro, onde 20% indicam a educação como pauta principal para o próximo presidente. Daniel Cara enfatiza a importância de um compromisso real dos candidatos com o PNE, que deve orientar as políticas públicas nas três esferas: União, estados e municípios, sempre adaptado às particularidades locais.
O que muda para professores e escolas em São Paulo?
Com a mudança no PDE, os professores da rede municipal de São Paulo terão o bônus condicionado a critérios que podem não refletir as reais condições de ensino, principalmente em áreas vulneráveis. A ênfase no desempenho da escola e na presença pode desconsiderar fatores sociais que impactam o aprendizado. Essa realidade reforça a necessidade de políticas educacionais mais inclusivas e contextualizadas, que valorizem o coletivo e promovam equidade.
Para Paulo (USP), a discussão sobre políticas educacionais deve priorizar a melhoria contínua da aprendizagem e o acesso universal, não apenas recompensar resultados imediatos que podem ser distorcidos pela desigualdade social.


