Uma Festa Cultural na Casa da Pólvora
No próximo domingo, dia 19, a Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) traz um evento imperdível para a Casa da Pólvora. A partir das 16h, o festival contará com apresentações da Mc’Hirlla e do Coletivo Carcará Sound System, em um dia que promete celebrar a arte e a cultura das periferias. O festival faz parte do projeto ‘Arte e Cultura nas Periferias’, da Casa Pequeno Davi, com financiamento do Ministério da Justiça. Com o tema ‘O som da terra, o grito da quebrada’, a festividade homenageia o Dia dos Povos Indígenas, reforçando a importância da diversidade cultural.
“A Funjope realiza o Circulador Cultural há cinco anos e acolhe projetos que promovem a arte nas periferias. É fundamental dar voz e visibilidade a diferentes linguagens e movimentos artísticos. O apoio ao trabalho desenvolvido pela Casa Pequeno Davi é um reflexo do nosso compromisso em valorizar e proteger a diversidade das culturas de João Pessoa, especialmente daquelas que emergem das periferias”, comentou Marcus Alves, diretor executivo da Funjope.
Marcus destacou ainda que a Fundação tem um histórico de apoio a artistas da periferia, priorizando a inclusão de talentos de diversas origens por meio de editais como o João Balula. “Buscamos promover a participação de artistas pretos e pretas, LGBT, povos indígenas e representantes de matrizes culturais africanas. É uma felicidade poder acolher e impulsionar esse projeto na Casa da Pólvora”, acrescentou.
Um Reconhecimento à Cultura Periférica
O Festival ‘Arte e Cultura nas Periferias’ integra uma iniciativa maior, vinculada à Casa Pequeno Davi, que conta com o apoio da Associação Cultural e Agrícola dos Jovens Ambientalistas da Paraíba (Acajaman-PB) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Essa ação visa promover um espaço de aprendizado e troca cultural nas cidades de Campina Grande e João Pessoa, com atividades que envolvem grupos do movimento hip hop e formação em diversas linguagens artísticas.
Miguel Segundo, coordenador do projeto, enfatizou que o Festival surge como uma afirmação das culturas periféricas. “Como Potiguara – não aldeado – estou muito animado com o tema, que aborda os povos indígenas, e com as participações de artistas como os DJs do Coletivo Carcará Sound System e a multiartista Zona, que trará um grafite ao vivo durante o evento. Vamos celebrar a potência das nossas culturas, identidades e artistas em um espaço que é um verdadeiro cartão-postal da cidade”, destacou Miguel.
A Voz da Mc’Hirlla e do Coletivo Carcará
A Mc’Hirlla, rapper e ativista cultural da Paraíba, não esconde sua empolgação pelo Circulador Cultural. “É um projeto incrível! Ele oferece uma oportunidade para que artistas locais mostrem suas obras para um público que muitas vezes não conhece o talento da nossa região”, afirmou. Com uma apresentação que promete mesclar hip hop, reggae, funk e samba, a artista representará a rica diversidade da cultura periférica. “Espero que todos sintam a minha arte e a verdade que trago no meu trabalho”, completou.
O Coletivo Carcará Sound System, que celebra sete anos em 2026, também se prepara para o festival. Topázio, um dos membros do grupo, ressaltou a importância do Circulador Cultural. “Esse projeto contribui para a revitalização do Centro Histórico, além de valorizar as comunidades periféricas. Mesmo que apenas dois de nós se apresentem, levará uma seleção de músicas que falam sobre nossa luta por direitos e a resistência cultural”, explicou.
Um Impacto Social Significativo
O Festival Artístico-Cultural, patrocinado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e financiado pelo Fundo dos Direitos Difusos, iniciou suas atividades em março de 2025, realizando 20 oficinas que abordam temas como direitos humanos e diversidade cultural, além de cursos em diversas linguagens artísticas. O projeto já fez um intercâmbio artístico entre jovens, promovendo debates sobre a criminalização do movimento hip hop e a violência contra mulheres no contexto cultural.
A importância desse projeto foi reconhecida pela Câmara Municipal de João Pessoa com um voto de aplauso, refletindo seu impacto social positivo na região. O festival não é apenas uma celebração, mas também um espaço de resistência e afirmação das vozes das comunidades, um verdadeiro convite à valorização da cultura periférica.


