USA Rare Earth Adquire Mineradora Brasileira
A empresa de terras-raras USA Rare Earth anunciou a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde, a única produtora desses elementos fora da Ásia. Esta transação, avaliada em US$ 2,8 bilhões, reflete o crescente interesse dos Estados Unidos em garantir fontes alternativas de terras-raras, especialmente em um cenário de competição acirrada com a China.
A venda inclui um pagamento inicial de US$ 300 milhões e a emissão cerca de 126,8 milhões de ações da USA Rare Earth, que serão transferidas para os atuais controladores da Serra Verde. Com isso, as donas atuais da mineradora, as americanas Denham Capital e EMG e a britânica Vision Blue, se tornarão sócias majoritárias, controlando 34% da nova empresa, conforme relatado pelo jornal Valor Econômico.
Impacto da Transação no Mercado de Terras-Raras
Se a aquisição for aprovada, a nova empresa resultante se tornará um importante player no setor de terras-raras, operando em várias regiões, incluindo Brasil, EUA, França e Reino Unido. A companhia atuará em todas as etapas da cadeia produtiva, desde a extração até a fabricação de ímãs, que são cruciais para indústrias de alta tecnologia e energias renováveis, como motores elétricos e turbinas eólicas.
A USA Rare Earth, que já recebe apoio de iniciativas federais dos EUA, como um financiamento de US$ 1,6 bilhão do Departamento de Comércio, viu um potencial significativo na Serra Verde. A mineradora brasileira, localizada em Goiás, utiliza a extração de argila iônica, que é mais eficiente e econômica. Este modelo de operação é considerado vital para diversificar a cadeia produtiva de terras-raras, especialmente em um momento em que a dependência da China se torna um ponto crítico.
Expectativas de Crescimento e Desafios
De acordo com estimativas da USA Rare Earth, a nova organização pode produzir até 6,4 mil toneladas métricas de óxidos de terras-raras por ano até 2027. Com isso, espera-se que, até 2030, os lucros cheguem a cerca de US$ 1,8 bilhão em Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
O depósito de Serra Verde representa não apenas uma oportunidade econômica, mas também um ganho geopolítico para o Brasil. Rafaela Guedes, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), destaca que essa operação pode atrair mais investimentos e atenção internacional, embora o sucesso dependa de políticas públicas que incentivem investimentos adicionais em todo o setor.
Novo Ponto de Referência no Setor Global
Com o acordo, Mick Davis, presidente do Conselho de Administração do Grupo Serra Verde, e Thras Moraitis, CEO, se juntarão ao novo conselho da empresa resultante. Moraitis assumirá a presidência, enquanto Ricardo Grossi continuará à frente das operações no Brasil.
Além disso, a transação envolve um contrato de fornecimento de terras-raras por 15 anos com garantias de preços mínimos, uma estratégia que visa mitigar riscos financeiros. Este tipo de acordo é crucial, especialmente em um momento em que a China, em 2022, ameaçou interrupções na indústria global ao restringir suas exportações de terras-raras.
Oportunidades para o Brasil
A posição estratégica do Brasil no mercado de terras-raras é inegável, com reservas estimadas em 21 milhões de toneladas, o que o coloca como segundo maior detentor dessas riquezas, apenas atrás da China. O governo dos EUA recentemente lançou o Project Vault, um projeto de US$ 12 bilhões para construir estoques estratégicos de minerais críticos, no qual a Serra Verde se encaixa perfeitamente, tendo assinado um empréstimo de US$ 565 milhões com uma agência de fomento americana.
O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral ressalta que, apesar das oportunidades, o Brasil precisa criar mecanismos que incentivem o investimento nas etapas subsequentes da cadeia produtiva. “Somente assim poderemos evitar que o Brasil se torne apenas um fornecedor de matéria-prima”, afirma Barral, ressaltando a importância do refino e processamento dos minerais dentro do país.


