Uma Nova Voz para a Língua Patxohã
O documentário “Vozes de Pindorama”, que foca na revitalização da língua Patxohã, falada pelo povo Pataxó na região de Porto Seguro, no sul da Bahia, alcançou visibilidade internacional ao ser selecionado para a Mostra Curta Espanha. O evento acontece de 28 a 30 de maio em Madri e promete levar a história rica e diversificada do Brasil ao público global. Com direção de Fernando Freire, a produção é fruto do apoio do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), através do Edital Paulo Gustavo Bahia (PGBA). A narrativa do documentário não apenas enfatiza a diversidade linguística do Brasil, mas também estabelece um diálogo com questões globais sobre a preservação cultural.
A obra surge em um contexto mais amplo, alinhando-se à Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), uma iniciativa da UNESCO que visa promover a valorização e respeito das línguas nativas. “Vozes de Pindorama” destaca o Brasil como uma verdadeira ‘Terra das Mil Línguas’, enfatizando sua rica diversidade cultural e linguística. Acompanhar o esforço para revitalizar o Patxohã é mais do que um ato de preservação; é um movimento de resistência contra a extinção cultural.
Fernando Freire, o diretor, expressa sua motivação ao escrever o roteiro: “Foi a urgência de documentar a revitalização de uma língua nativa em risco de extinção que me motivou. Além disso, queria contar a história das muitas línguas que compõem Pindorama. O Brasil, conhecido mundialmente como a Terra das Mil Línguas, abriga uma das maiores diversidades linguísticas do planeta, e esse patrimônio não deve ser silenciado”.
Participação da Comunidade Indígena
A participação da comunidade da Reserva da Jaqueira foi essencial para garantir a autenticidade do filme, permitindo que o projeto refletisse com precisão os saberes locais. O protagonista mirim, Wêkanayhã, de apenas 12 anos, foi escolhido com a aprovação da própria comunidade, e as legendas em Patxohã foram elaboradas por professores da escola indígena da reserva.
“A contribuição da comunidade indígena foi fundamental para a integridade cultural do documentário”, destaca Freire. Ele ainda ressalta a relevância da presença do cacique Syratã no filme, que traz uma valiosa perspectiva ancestral, enriquecendo a narrativa cultural.
Reconhecimento Internacional
Após ser exibido em festivais em diversos estados brasileiros, como Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Santa Catarina, o documentário agora se prepara para conquistar o público internacional. Com uma trajetória que inclui diversas premiações, como Melhor Filme e Melhor Roteiro, “Vozes de Pindorama” se consolida como um importante documento sobre identidade e memória cultural no Brasil.
O reconhecimento recebido na Mostra Curta Espanha indica que o filme possui um apelo universal, destacando a força do audiovisual da Bahia no cenário internacional. “O público, tanto no Brasil quanto fora, será convidado a embarcar em uma jornada fascinante pela Terra das Mil Línguas, colocando o cinema baiano em uma posição de destaque na preservação do patrimônio imaterial da humanidade”, afirma Freire.
O diretor ainda aponta que o impacto do filme evidencia a importância de políticas públicas voltadas para a cultura, especialmente para o fortalecimento de produções independentes e comprometidas com a preservação do patrimônio cultural. “Sem o suporte financeiro da Lei Paulo Gustavo, não seria viável remunerar a equipe técnica, alugar equipamentos, contratar educadores e realizar a edição do filme”, enfatiza.
Sobre o Edital Paulo Gustavo Bahia
O Edital Paulo Gustavo Bahia (PGBA) é uma iniciativa do Governo da Bahia, operada pela SecultBA, que gerencia os recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG) do Ministério da Cultura. Este programa abrange projetos culturais em todos os 27 territórios de identidade da Bahia, englobando diversas linguagens artísticas e fortalecendo a cultura local. Em resposta aos desafios impostos pela pandemia, a PGBA posiciona a Bahia como um dos primeiros estados a implementar um plano de execução e acessar recursos federais, consolidando-se como um dos maiores investimentos em políticas culturais do Brasil.


