Crescimento do Empreendedorismo Feminino no Brasil
O setor de empreendedorismo feminino no Brasil alcançou um marco histórico em 2025, com a abertura de mais de 2 milhões de pequenos negócios por mulheres, conforme aponta um levantamento realizado pelo Sebrae. Esse número expressivo representa um aumento de 320 mil novos empreendimentos em relação ao ano anterior e corresponde a 42% de todos os novos negócios formais no país, especificamente nas categorias de micro e pequenas empresas.
Os estados que lideram a abertura de empresas por mulheres incluem Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os setores mais prevalentes entre esses novos negócios são a indústria, serviços e comércio. Conforme esclarece Susana Stroher, gestora do programa Sebrae Delas (RS), o crescimento do empreendedorismo feminino está intimamente ligado à necessidade de geração de renda, especialmente em tempos de incerteza econômica.
“Muitas mulheres se lançam no mundo dos negócios em busca de sustentar suas famílias, enquanto outras enxergam oportunidades e demandas em diversos mercados. A inovação é um aspecto crucial, pois o empreendedorismo se torna um caminho para a autonomia e a construção de uma carreira sólida”, destaca Stroher.
A História de Fernanda: De Cuidadora a Empreendedora
Um exemplo inspirador é o de Fernanda Braga da Silva, que após 13 anos de trabalho como cuidadora de idosos, decidiu mudar seu rumo profissional e investir no setor de beleza. Atualmente, Fernanda atende clientes como manicure em sua própria residência, encontrando no empreendedorismo uma nova perspectiva de vida.
“Agora eu decido minhas férias, meu salário e meus horários. Essa foi a melhor decisão da minha vida. Quando você trabalha com o que ama, a experiência é totalmente diferente”, compartilha Fernanda, que se formalizou como Microempreendedora Individual (MEI) após receber conselhos de uma cliente contadora. Essa formalização trouxe segurança e uma melhor organização financeira para seu negócio.
Desafios e Responsabilidades do MEI
Apesar do crescimento do empreendedorismo feminino em diversos cenários, especialistas alertam que a formalização como Microempreendedora Individual requer cuidados. Embora o processo de abertura de um CNPJ como MEI seja relativamente simples, é fundamental que as empreendedoras estejam atentas às obrigações legais associadas.
Isso inclui o pagamento mensal do Documento de Arrecadação (DAS), a entrega da declaração anual, a emissão de notas fiscais e o controle rigoroso do faturamento, que está limitado a R$ 81 mil anualmente. Ana Paula Mocellin Queiroz, contadora, enfatiza que, apesar da menor burocracia envolvida no regime MEI, a disciplina é essencial para manter o negócio em conformidade e evitar complicações futuras. Para ela, cada passo dado com responsabilidade contribui significativamente para o sucesso do empreendimento.
Com a crescente adesão das mulheres ao empreendedorismo, torna-se evidente que esse movimento não apenas fortalece a economia local, como também empodera mulheres a se tornarem protagonistas de suas histórias e carreiras.


