Reassentamento e Novo Começo
O projeto que visa a desocupação da Favela do Moinho, localizada na região central de São Paulo, celebra um ano de realizações em abril. Mais de 800 famílias já se mudaram para novas residências, desfrutando de condições dignas e seguras. Até o momento, a ocupação alcançou 96% de conclusão, restando menos de 40 imóveis para finalizar essa importante etapa, coordenada pelo Governo do Estado.
Esse processo de reassentamento é fundamental para resgatar a dignidade de habitantes que, até então, enfrentavam condições precárias de vida, cercados por situações insalubres, como a presença de ratos e escorpiões, além do constante risco de incêndios. A área da favela, caracterizada por um alto adensamento e confinada entre duas linhas de trem, apresentava apenas uma saída, expondo a população a sérios perigos. A presença do crime organizado ainda agravava a situação, privando as famílias de liberdade e segurança, constantemente coagidas por lideranças locais.
O governador Tarcísio de Freitas destacou a importância dessa mudança: “Um ano atrás, nós entramos no Moinho com um propósito claro: tirar as famílias do risco permanente de acidentes e de uma área insalubre. Muitos diziam que era impossível, mas hoje, com gestão e diálogo, estamos perto de concluir a desocupação. São mais de 800 famílias que saíram de um local esquecido pelo Estado para habitar lares definitivos e dignos, com escritura e segurança”.
Histórico do Reassentamento
Ao longo do processo, foram registradas 918 mudanças. Desde o início das remoções, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) também concedeu 72 indenizações para comerciantes afetados, com 22 desses beneficiários residindo na área e recebendo suporte habitacional. Atualmente, 36 famílias permanecem na área, aguardando atendimento da Caixa Econômica Federal, que gerencia as indenizações do governo federal.
Com a fase final do reassentamento se aproximando, a área anteriormente ocupada pela Favela do Moinho será transformada em um espaço público. Está prevista a construção de um parque urbano e de uma nova estação de trem, como parte das ações de requalificação da região central de São Paulo, em colaboração entre o Governo do Estado e a Prefeitura.
Testemunhos e Impacto
A ex-moradora Eunice Barbosa dos Santos, de 81 anos, que viveu 22 anos na favela, expressou sua alegria com a mudança: “Não vou sentir saudade do Moinho. O que eu sinto é alegria de sair para a minha nova casa”.
O processo de reassentamento foi estruturado com base em escuta ativa e mapeamento minucioso das famílias envolvidas, permitindo que os beneficiados escolhessem suas novas residências. Ao todo, foram realizados mais de 10 mil atendimentos ao longo de um ano, com necessidade média de 12 atendimentos por família.
Marcelo Branco, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, ressaltou a importância do foco nas pessoas: “O projeto começou com um olhar cuidadoso para o centro da cidade, resgatando cada uma dessas histórias. Realizamos mais de 3 mil entrevistas e estamos quase com a totalidade das famílias encaminhadas. É um trabalho humanizado, onde as famílias escolheram como e onde querem morar”.
Alta Adesão e Logística Cuidadosa
As mudanças iniciaram em 22 de abril de 2025 e evoluíram rapidamente. Somente em 7 de maio, mais de 100 famílias já tinham sido reassentadas. Dois meses depois, esse número ultrapassou 440. Para facilitar o atendimento habitacional, a CDHU mapeou imóveis disponíveis no mercado, disponibilizando cerca de 1,5 mil unidades antes do início das mudanças, sendo mais de mil localizadas na área central, para atender aqueles que desejavam permanecer próximos.
As famílias com renda mensal de até R$ 4,7 mil têm acesso a imóveis sem custo, conforme a parceria com o Ministério das Cidades. Para as que escolheram unidades em construção, foram oferecidos caução inicial e auxílio-moradia mensal até a entrega das chaves.
Viviane Frost, superintendente social da CDHU, comentou sobre a reposição do direito à moradia: “Montamos um escritório para atender todos de forma programada, garantindo que as famílias compreendessem como seria a mudança. A CDHU organizou toda a logística, que incluiu agendamento e transporte, e a adesão foi superior ao esperado”.
Segurança do Local e Futuro da Área
Enquanto as mudanças avançavam, os imóveis desocupados passaram por etapas de segurança. Inicialmente, as construções foram emparedadas e posteriormente descaracterizadas, com retirada de telhados e janelas, para assegurar a integridade da área e evitar reocupações. Até o momento, 738 imóveis já foram demolidos, garantindo a segurança dos trabalhadores e das famílias que circulam pelo local.


