Operação Revela Esquema de Mineração Ilegal
No início deste ano, moradores de São Sebastião, uma das regiões administrativas do Distrito Federal com aproximadamente 170 mil habitantes, notaram uma elevação incomum no consumo de energia elétrica. A concessionária Neoenergia, ao investigar a situação, detectou ligações clandestinas na área rural e acionou as autoridades competentes. Uma operação policial resultou na apreensão de oito centrais de computadores, utilizadas para a mineração de criptomoedas, que se beneficiavam do furto de energia para validar transações.
Segundo os dados disponíveis, as irregularidades causaram prejuízos que somam quase 8 milhões de reais às empresas de energia. Uma das frentes da operação foi marcada pela localização de uma célula criminosa em uma área de mata fechada, com o suporte aéreo de um helicóptero da Polícia Civil.
Investigação em Andamento e Novas Descobertas
As investigações estão em andamento e indicam que, em 7 de abril, duas novas centrais pertencentes ao mesmo grupo criminoso foram descobertas. De acordo com a Neoenergia, cada uma dessas unidades exigiu um investimento próximo a 1,5 milhão de reais, evidenciando o planejamento técnico e financeiro envolvido na operação.
Novos Crimes e Avanços no Combate à Mineração Ilegal
Especialistas têm alertado que a prática, conhecida como “criptogato”, tem se tornado uma nova modalidade de crime em diversas regiões do Brasil, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Alagoas. Este tipo de golpe envolve a subtração de energia para alimentar grandes estruturas de hardware que geram criptomoedas após a validação de transações. Os equipamentos demandam um alto poder de processamento e um resfriamento contínuo, o que justifica o aumento no consumo de energia.
Analistas ressaltam que apenas dispositivos específicos, como os ASICs, são adequados para essa tarefa de mineração com eficiência. A alta tarifa de energia no Brasil, uma das mais elevadas do mundo, torna essa prática lucrativa apenas em grandes escalas. No caso de São Sebastião, estima-se que a receita mensal poderia alcançar 400 mil reais, caso o consumo de energia fosse convertido em lucro, embora os custos operacionais reduzam significativamente essa rentabilidade.
Logística e Mercado Paralelo
A aquisição dos equipamentos utilizados para a mineração de criptomoedas ocorre, em sua maioria, através do mercado paralelo ou contrabando. Recentemente, as autoridades apreenderam 13 dispositivos na Via Dutra, destinados a Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Desdobramentos e Penálti
As autoridades estão analisando a possibilidade de colaboração entre técnicos encarregados da montagem dos dispositivos e quadrilhas que financiam e protegem essas operações. No Rio de Janeiro, uma mineradora foi identificada em uma residência na Ilha do Governador, enquanto em Sorocaba, no interior de São Paulo, um confronto resultou na morte de um sócio envolvido no esquema.
Caso as acusações sejam confirmadas, a conduta pode ser enquadrada como furto de energia, com pena de reclusão que pode variar até quatro anos. Além disso, a polícia busca reunir provas de associação criminosa e ocultação de bens, já que essas operações frequentemente envolvem o uso de criptomoedas para lavar dinheiro oriundo de atividades ilegais.
Continuação das Investigações em São Sebastião
Na região de São Sebastião, dois suspeitos foram presos durante a operação, mas foram liberados após audiência de custódia. As investigações permanecem ativas com o objetivo de identificar os responsáveis pela estrutura criminosa, incluindo potenciais líderes da organização. As apurações visam também mapear a extensão da rede e o financiamento das atividades ilícitas relacionadas à mineração de criptomoedas.


