Empreendendo com Visão Global
A internacionalização para pequenos negócios pode parecer um desafio intransponível, mas esse objetivo pode ser alcançado desde as fases iniciais de desenvolvimento de um produto. Um exemplo notável é a trajetória dos irmãos Thatiana e Bruno Schott, oriundos de Bom Jardim, no Rio de Janeiro. Frustrados com a produção em massa no setor de moda íntima, eles decidiram apostar em um modelo de negócio mais autoral e cuidadoso. No ateliê que montaram em Nova Friburgo, a dupla, unindo os conhecimentos de Thatiana em Administração e Bruno em Publicidade, implementou um método de criação que prioriza a qualidade, desenvolvendo uma peça por vez.
Após quatro anos de dedicação, os irmãos participaram de um projeto piloto de exportação promovido pelo Sebrae em Paris, França. Esse projeto incluía o Processo de Aprovação de Peça de Produção (PPAP), uma análise meticulosa da qualidade de suas peças. A ascensão da marca Zsolt não passou despercebida, levando a coordenadora de negócios internacionais do Sebrae a convidá-los para ingressar no ProGlobal, um programa de capacitação focado em auxiliar pequenas empresas a exportarem seus produtos.
“Através das consultorias do Sebrae, começamos a solidificar nossa estrutura interna. Em 2023, finalmente aceitamos participar do ProGlobal. A Miriam Ferraz foi uma grande incentivadora, sempre acreditou no nosso potencial no mercado internacional”, recorda Thatiana.
ProGlobal: Capacitação e Oportunidade
O ProGlobal, criado em 2020, oferece um curso de formação de oito meses voltado para empresas que possuem diferenciais competitivos, como design e sustentabilidade. O Sebrae Rio recentemente abriu inscrições para o programa, disponibilizando 65 vagas, divididas entre os setores de Moda e Alimentos e Bebidas. O processo seletivo é rigoroso, focando em empresas com potencial de exportação e capacidade produtiva adequada.
Uma vez aprovados, os empreendedores contam com a cobertura de 90 a 95% dos custos da capacitação. O programa abrange cinco etapas: design estratégico para a internacionalização, posicionamento de marca, estratégia de comunicação, gestão financeira e abordagem comercial. “Recebemos suporte em todas as áreas, desde finanças até a documentação necessária para exportação”, comenta Thatiana. Hoje, a Zsolt exporta suas criações para diversos estados dos EUA, incluindo Nova York e Califórnia.
Para aqueles que estão hesitantes sobre qual mercado internacional focar, Claudine Bichara, especialista do ProGlobal, ressalta a importância de uma análise de mercado aprofundada. “Muitas vezes, os empresários vêm com uma ideia fixa de um país, mas nosso trabalho é ampliar suas perspectivas e identificar o mercado mais adequado para o seu produto. Embora muitos busquem opções na América do Sul, Estados Unidos ou Europa, mostramos oportunidades em lugares como Ásia e Oriente Médio. Diversificar o foco é essencial para minimizar riscos e maximizar oportunidades”, explica.
Resultados e Perspectivas Futuras
A Zsolt também se destacou por sua produção de papel biodegradável com sementes, proporcionando uma alternativa sustentável para materiais impressos. Este empreendimento resultou na conquista do primeiro lugar nacional no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2023, na categoria pequenos negócios. O ProGlobal atende a uma variedade de setores, incluindo alimentos, moda, saúde e tecnologia, revelando nichos promissores que ainda aguardam exploração.
O ambiente diversificado do programa propicia conexões estratégicas entre os empreendedores. Antes de iniciar as exportações, os participantes simulam situações reais de mercado, identificam parceiros e constroem relacionamentos comerciais. “Conheci uma grande parceira, Belle Paiva, através do projeto. Juntas, dividimos um espaço em São Paulo e trocamos constantemente experiências”, relata Thatiana.
Além de promover networking, o ProGlobal auxilia na superação dos desafios comuns enfrentados pelos empreendedores brasileiros que desejam exportar. “Muitos ainda têm dificuldades em precificar seus produtos para o exterior. É crucial estudar a concorrência, logística, cultura empresarial e aspectos legais”, acrescenta Bichara.
Os ensinamentos do ProGlobal já estão impactando positivamente os resultados da Zsolt. “Com a estruturação correta, conseguimos aumentar nossa produção e melhorar nossa política de preços. O ProGlobal proporcionou um crescimento significativo para nós. Inclusive, abrimos uma nova loja em São Paulo, resultado direto desse processo de capacitação”, finaliza Thatiana, cheia de otimismo.
Com a base para exportação sólida, a Zsolt teve o suporte do Sebrae para participar de feiras internacionais, onde as reações foram muito positivas. “O feedback foi incrível. As pessoas elogiavam a qualidade e a singularidade das nossas peças”, recorda a empreendedora. Com o uso de técnicas artesanais como tie-dye, as criações da Zsolt se tornaram verdadeiros ícones de originalidade.
Apesar dos receios que muitos empresários ainda enfrentam quanto à internacionalização, Bichara enfatiza que o ProGlobal oferece um caminho claro e acessível: “Nossa missão é guiar e apoiar as pequenas empresas para que se tornem protagonistas no mercado internacional”. A Zsolt já experimenta os frutos dessa jornada, com uma meta ambiciosa de crescer suas exportações em até 30% nos próximos anos, mirando agora o mercado europeu.
Para quem deseja se preparar para o mercado internacional, as inscrições para a sexta edição do ProGlobal já estão abertas. São 65 vagas disponíveis, sendo 40 para moda e 25 para alimentos e bebidas. Os interessados têm até 15 de maio para se inscrever.


