A Importância Cultural do RIOFW
No último sábado (18), o Rio Fashion Week (RIOFW) chegou ao fim, após uma semana intensa de desfiles que apresentaram 20 marcas no Píer Mauá e em locais icônicos como a Marquês de Sapucaí. Depois de uma década sem um evento de moda significativo na cidade, o RIOFW surgiu para preencher essa lacuna, promovendo grifes nacionais que buscavam uma conexão com o mercado internacional e a construção de uma identidade social brasileira. A curadora de conteúdo, Olivia Merchior, explicou que cada região do país foi representada, conferindo uma pluralidade que enriqueceu o evento e reafirmou a vitalidade da cultura de moda no Rio de Janeiro.
A Osklen, uma das grandes marcas do evento, teve a honra de abrir os desfiles no Palácio da Cidade. Apresentando uma coleção que destacou o uso da pele de pirarucu, um trabalho desenvolvido pelo Instituto-E, a marca trouxe uma estética que celebra as raízes brasileiras e reflete a ideia de que a moda é dinâmica, está presente nas ruas e na vida das pessoas.
A Essência Carioca nas Passarelas
A Blue Man não deixou por menos e trouxe para suas criações a verdadeira essência carioca. Durante o desfile, estiveram presentes figuras icônicas como a vendedora de espetinho de camarão e celebridades como Helô Pinheiro e Pocah. A diretora criativa, Sharon Azulay, descreveu a apresentação como uma grande celebração à Praia de Ipanema, ressaltando a liberdade e a diversidade que permeiam o cotidiano carioca. A coleção apostou em inovações como o biquíni jeans, que exemplificam a riqueza cultural do Brasil.
O evento também teve destaque para a Misci, de Airon Martin, que fez uma apresentação inesquecível na Marquês de Sapucaí, com o show da escola Beija-Flor. A proposta de “alfaiataria carnavalesca” trouxe elementos como franjas e manualidades têxteis, evidenciando o trabalho artesanal e a valorização do que é feito à mão, características que se mostram cada vez mais importantes na moda contemporânea.
Uma Experiência Emocional e Cultural
A Handred também se destacou, apresentando uma performance marcante que incorporou músicos da Orquestra da Lapa, criando um momento de pura emoção. Com referências ao barroco, a marca trouxe uma paleta de cores que evocava luz e sombras, mostrando mais uma faceta da riqueza cultural carioca.
O universo do carnaval não ficou de fora, sendo celebrado na exposição “Alta-costura do carnaval”, organizada por Gringo Cardia no Armazém 4. A mostra foi uma homenagem ao trabalho das costureiras e bordadeiras e à utilização de materiais nacionais, como demonstrado pelas criações da Normando, que utilizou látex da Amazônia, reforçando uma abordagem sustentável e um design sofisticado.
Novas Vozes e Inovações na Moda
Na sua primeira apresentação no país, a estilista brasileira Karoline Vitto trouxe uma coleção que priorizou a inclusão, com modelagens pensadas para todos os tamanhos. A desfile da cabo-verdeana Angela Brito, que explorou a desordem como uma característica do cotidiano carioca, também chamou atenção. Brito revelou que “Entropia” reflete a relação complexa que todos têm com a cidade, apresentando uma alfaiataria poética e elementos que utilizavam madeira descartada e crochê em palha.
O último dia do RIOFW foi um verdadeiro espetáculo. A marca independente Argalji apresentou uma coleção que encantou o público com suas inovadoras modelagens em espuma. Isabela Capeto, que contou com a presença da filha Chica pela primeira vez na passarela, se inspirou no movimento neoconcretista para criar peças vibrantes e orgânicas, refletindo a obra de Hélio Oiticica.
Um Legado de Inclusão e Diversidade
A Dendezeiro, com sua abordagem política e identitária, trouxe para a passarela nomes de destaque da comunidade LGBTQIA+, como Majur e Lunna Montty. O desfile também contou com a participação do modelo estadunidense Alton Devon Mason e da filha de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, Titi, que emocionaram o público presente.
O RIOFW encerrou com chave de ouro a apresentação de Lenny Niemeyer no Museu do Amanhã, onde a estilista celebrou 35 anos de carreira, sendo ovacionada por suas supermodelos e a releitura de peças que se tornaram icônicas ao longo de sua trajetória. Este primeiro RIOFW demonstrou de forma clara que a cultura da moda continua a florescer no Rio de Janeiro, reunindo um público engajado e apaixonado, que se expressa por meio de seus looks e vivências.


