Denúncia do Ministério Público
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou uma denúncia criminal contra quatro pessoas, sendo dois ex-secretários municipais e dois empresários, devido a um contrato de aproximadamente R$ 26 milhões relacionado à aquisição dos kits educacionais “Maluquinho por Robótica”. De acordo com a Promotoria, o processo licitatório foi direcionado de forma a privilegiar certas empresas, indicando indícios de superfaturamento, restrição da concorrência e a entrega de produtos de qualidade inferior ao que foi acordado.
A investigação revela que os agentes públicos, em conjunto com os empresários, atuaram de modo planejado, caracterizando uma organização criminosa voltada para fraudes em licitações. Dados fiscais mostram que o custo real dos kits poderia ser muito menor do que o valor pago, justificando o pedido de sanções penais e ressarcimento aos cofres públicos.
Identidade dos Envolvidos
Os indivíduos mencionados na denúncia incluem Márcio Bortolli Carrara, ex-secretário de Educação; Fausto Bossolo, ex-secretário de Administração; Omar Freddi, da empresa Carthago Editorial Ltda, vencedora da licitação; e Wilson José da Silva Filho, da empresa Geek Educacional, fornecedora dos kits.
Apuração Minuciosa dos Fatos
O Ministério Público fundamentou a acusação em um robusto conjunto de evidências que inclui parecer técnico, notas fiscais, análises de preços de mercado e contradições nos depoimentos prestados. O relatório indica uma discrepância significativa entre o valor pago e o custo real: cada kit adquirido pela administração variou de R$ 720,00 a R$ 798,14, enquanto produtos similares podem ser encontrados no mercado por preços que giram em torno de R$ 29,99.
Além disso, o custo de produção de cada unidade não chegava a 10% do preço contratado. A Promotoria argumenta que o mesmo produto foi vendido a outra empresa por aproximadamente metade do preço cobrado do município, o que levanta questionamentos sobre a legitimidade da operação.
Preocupações com a Qualidade do Material
A denúncia também lança dúvidas sobre a eficácia pedagógica dos materiais adquiridos. O relatório aponta que os kits não apresentavam características essenciais para o ensino de robótica, sendo, na verdade, compostos por materiais de montagem recreativa, como chapas de MDF, decalques e pilhas para acender LEDs. Um professor consultado pela investigação descreveu a estrutura dos kits como “simples” e inadequada para a proposta educacional.
Consequências da Denúncia
O processo civil público em decorrência do pregão dos kits de robótica resultou na indisponibilidade dos bens do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) e do secretário Marcio Carrara. Ambos entraram com um recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) solicitando a revogação da medida.
Irregularidades Reveladas
Além das evidências já apresentadas, a denúncia do MP inclui a revelação de uma carta anônima recebida na Promotoria, enviada por um suposto funcionário público. Juntamente com um pendrive, o autor relatou um encontro que teria ocorrido cerca de 45 dias antes da licitação, onde Wilson, Bossolo e Carrara discutiram antecipadamente os pontos do pregão.
Conforme o MP, o conteúdo do pendrive, que foi submetido à perícia, continha termos idênticos aos de um chamamento realizado pela Prefeitura de Ribeirão Pires. A análise técnica confirmou a similaridade entre os documentos, evidenciando um planejamento prévio dos envolvidos, configurando o que a Promotoria denomina de “modus operandi criminoso”.
Possíveis Consequências Legais
Com base nas provas apresentadas, a denúncia inclui acusações de organização criminosa, fraude à licitação, frustração da competitividade e execução fraudulenta de contrato. Esses crimes não apenas configuram irregularidades administrativas, mas também representam ações estruturadas de crime.
Se aceita, a denúncia tornará os acusados réus, dando início ao processo penal. Isso poderá resultar em diversas consequências, incluindo prisão (caso sejam condenados), multas, perda de função pública, proibição de contratar com o poder público e devolução de valores aos cofres públicos.
Resposta da Prefeitura
A Prefeitura de Sorocaba foi questionada sobre a denúncia feita pelo MP contra os ex-secretários e respondeu que “não foi notificada sobre o caso e prestará todos os esclarecimentos necessários ao órgão quando solicitada”.


