Relatório Detalha Gastos com ‘Buraco Fake’
Um novo relatório elaborado por servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba (SP) revelou que o ‘buraco fake’ utilizado como cenário para um vídeo viral do prefeito Rodrigo Manga, conhecido por sua presença nas redes sociais, custou aproximadamente R$ 19,7 mil aos cofres públicos. O dossiê, obtido pelo g1, descreve a mobilização de 15 funcionários e sete veículos da autarquia na execução da ação, que agora é alvo de investigação pelo Ministério Público.
Segundo o documento, que será enviado ao MP, foram identificadas diversas irregularidades, incluindo falsidade ideológica em registros de atendimento e ordens de serviço, prevaricação de chefias e diretores, além de desvio de finalidade e improbidade administrativa. As denúncias foram formalizadas e aguardam apuração.
A estrutura mobilizada para o suposto buraco fake inclui: 15 funcionários do Saae, sete veículos, que englobam caminhão-pipa e retroescavadeira, e a colaboração de duas empresas terceirizadas, uma para drenagem e outra para o reparo do asfalto. Com base nessas informações, os servidores avaliam que o prejuízo aos cofres públicos é significativo.
Contexto do Vídeo Viral
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No vídeo que gerou polêmica, o prefeito Rodrigo Manga aparece em um cenário de obra, onde uma pessoa simula uma queda dentro do buraco recém-aberto. O material reforça que a situação poderia apresentar riscos de contaminação biológica e gases tóxicos, além de levantar questões sobre a veracidade do serviço executado. O prefeito se posiciona como um gestor ativo, apresentando as ações da administração municipal com um tom voltado para o público das redes sociais.
A Prefeitura de Sorocaba, ao ser questionada, afirmou que a abertura da vala foi parte de uma manutenção programada na rede de esgoto, destacando que cada fase foi concluída no mesmo dia e em conformidade com os protocolos operacionais da autarquia. O Ministério Público, por sua vez, foi consultado sobre o andamento das investigações, mas até o momento não houve novidades.
A Denúncia dos Servidores e a Reação dos Moradores
O relato dos servidores é corroborado por moradores da região, que notaram que a equipe do Saae permaneceu parada aguardando a chegada do prefeito para a gravação. Um morador, que optou por não se identificar, comentou que é incomum a equipe ficar inativa, contrastando com sua experiência em que serviços similares demoraram semanas para serem finalizados.
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Ao expressar sua surpresa com a rapidez do serviço, o morador enfatizou que não havia nenhum problema visível na rua antes da intervenção. A percepção de irregularidade aumenta com relatos sobre a utilização de recursos públicos para fins promocionais, potencialmente desviando a atenção de questões mais relevantes e urgentes na gestão da cidade.
Investigações e Contradições nos Documentos
A situação ganhou destaque nacional após a revelação dos documentos que sustentam as denúncias, que incluem ordens de serviço questionáveis criadas para justificar a mobilização dos funcionários. Inconsistências nos registros oficiais, como o uso da mesma fotografia para ilustrar o ‘antes’ e o ‘depois’ do suposto reparo, levantam dúvidas sobre a autenticidade da operação. Algumas imagens evidenciam a ausência de problemas na via, contradizendo a alegação de que a abertura da vala era necessária.
Além disso, um dos documentos afirma que o problema em questão não era de responsabilidade do Saae, o que destaca ainda mais a complexidade da situação. Ao menos dez servidores foram destacados para a operação, levantando questões sobre a real necessidade dessa mobilização em comparação com a rotina habitual da autarquia.
Posicionamento da Prefeitura e Saae
Após a divulgação do caso, a Prefeitura reafirmou que a abertura da vala seguiu as normas internas de controle e supervisão, mas não abordou diretamente as denúncias feitas pelos servidores. Mesmo após a solicitação de informações na quinta-feira, o Saae enviou um novo comunicado alegando que o registro de atendimento se referia a outra intervenção, mas sem esclarecer a ligação com o ‘buraco fake’.
O desenrolar das investigações sobre essa polêmica situação pode trazer novas revelações sobre a administração pública em Sorocaba e o uso de recursos para fins particulares nas redes sociais.


