Um Marco na Educação Paraense
O Sistema de Organização Modular de Ensino (Some) celebrará 46 anos de contribuição significativa para a educação no Pará. Esta iniciativa, vinculada à Secretaria de Estado de Educação (Seduc), representa uma das principais políticas públicas voltadas para a inclusão educacional no estado. Desde a sua criação, o Some tem se dedicado a atender estudantes em regiões isoladas, garantindo acesso ao ensino médio em locais com dificuldades de infraestrutura.
A proposta do Some surgiu no final da década de 1970, em um contexto onde o ensino médio se restringia a poucos municípios, especialmente os centros urbanos. Nesse cenário, os alunos das zonas rurais, ribeirinhas e de áreas remotas enfrentavam enormes desafios para continuar seus estudos. Atualmente, o Sistema está presente em 22 Diretorias Regionais de Ensino (DREs), demonstrando sua relevância e expansão ao longo dos anos.
O professor de História e ex-coordenador do Some, Ribamar de Oliveira, relata que o programa foi idealizado para atender a essa realidade desafiadora. “O Sistema Modular de Ensino começou em quatro municípios: Curuçá, Igarapé-Açu, Igarapé-Miri e Nova Timboteua. Com o tempo, ele se expandiu e se tornou uma política pública reconhecida, consolidada por meio de legislação”, explicou Ribamar.
A proposta educacional do Some foi adaptada às especificidades do Pará, utilizando um modelo modular que permite o deslocamento itinerante de professores. Esses educadores viajam entre as comunidades para assegurar que o atendimento educacional chegue a todos. “No princípio, a escassez de profissionais na região era um grande obstáculo. Os docentes saíam de Belém, divididos em circuitos de quatro módulos. Hoje, o Some continua a ser crucial, especialmente para levar educação às comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e extrativistas”, completou Ribamar.
Fortalecendo Vínculos com a Comunidade
Ao longo das décadas, o Sistema Modular de Ensino ampliou seu alcance, passando a atender diferentes regiões do Pará e contribuindo para que os alunos permanecessem em suas comunidades de origem. Isso fortalece o vínculo dos estudantes com suas realidades locais, permitindo um aprendizado mais contextualizado e significativo.
Além de garantir o acesso à educação formal, o Some se destaca por integrar o aprendizado à vivência das comunidades. O sistema promove atividades que vão além do conteúdo acadêmico, fomentando um aprendizado mais rico e diversificado. Com mais de 40 anos de trajetória, o Some se consolidou como uma política pública verdadeiramente paraense, servindo de exemplo para outros estados e até para países da América Latina.
Um exemplo inspirador desse impacto é a história de Geovanna Macedo, natural de Rio Maria, que se formou em Medicina graças ao Some. “Me formei em um colégio da zona rural do município de Rio Maria. Devido ao Sistema Modular de Ensino, consegui concluir o ensino médio, pois precisava ajudar em casa e não podia me deslocar até a cidade para estudar. Através do Some, que ia até as zonas rurais, consegui estudar e hoje atendo a população do Pará”, compartilhou Geovanna, evidenciando a relevância do sistema na transformação de vidas e na promoção da saúde na região.


