Um Passo Historicamente Importante
Um projeto de lei que destina a criação da Universidade Federal Indígena (Unind) em Brasília está atualmente em tramitação no Congresso Nacional. Essa proposta emerge como um importante esforço para garantir protagonismo e autonomia aos povos indígenas, cujas representações no ensino superior aumentaram significativamente na última década.
De acordo com dados do IBGE, o número de estudantes indígenas nas universidades saltou de aproximadamente 9 mil em 2011 para cerca de 46 mil em 2022. Esse crescimento é impulsionado, em grande parte, pelas políticas afirmativas de cotas, que têm sido essenciais para a inclusão desses grupos na educação superior.
No anúncio da proposta pelo governo, a então ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, ressaltou que a criação da Unind “é o resultado concreto dos esforços de professores e professoras indígenas, que ao longo de décadas lutam por uma educação pública que respeite e integre os saberes ancestrais, complementando o conhecimento produzido por acadêmicos não indígenas”.
Atualmente, o projeto já foi aprovado pela Câmara e pela Comissão de Educação do Senado, aguardando apenas a aprovação final pelo plenário.
Objetivos da Universidade Federal Indígena
Com sede em Brasília e uma estrutura multicampi, a Unind almeja formar indígenas nos níveis de graduação e pós-graduação, utilizando um modelo educacional que valoriza as identidades e saberes tradicionais em harmonia com o conhecimento acadêmico convencional. O projeto é um verdadeiro marco em termos de políticas educacionais que promovem os direitos culturais, territoriais e educacionais dos povos originários do Brasil.
Os principais pilares da Unind incluem:
- Promoção da autonomia indígena, com foco em ensino, pesquisa e extensão numa perspectiva intercultural;
- Valorização das línguas, saberes e tradições indígenas;
- Produção de conhecimento científico que dialoga com práticas ancestrais;
- Fortalecimento da sustentabilidade socioambiental;
- Formação de profissionais capacitados para atuar em áreas estratégicas para o desenvolvimento dos territórios indígenas.
No primeiro ciclo de implantação, a universidade oferecerá dez cursos, com capacidade para atender até 2,8 mil estudantes nos primeiros quatro anos. As áreas de estudo foram escolhidas com base nas demandas de cada grupo indígena e incluem temas como gestão ambiental e territorial, políticas públicas, sustentabilidade socioambiental, promoção das línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias, tecnologias e formação de professores, entre outros.
Outro aspecto significativo da Unind será a preservação e disseminação das línguas dos povos indígenas tanto do Brasil quanto da América Latina, contribuindo para a valorização da diversidade linguística e cultural.
O Ministério da Educação será encarregado de nomear o primeiro reitor e vice-reitor da universidade, que deverão ser, obrigatoriamente, indígenas. Essa liderança inicial será responsável por organizar a universidade até que o seu Estatuto e Regimento Geral sejam aprovados, após o que a governança será autônoma, sob a administração do reitor e do Conselho Universitário.


