Homenagem ao Autor de “O Nome da Rosa”
O décimo aniversário da morte de Umberto Eco, celebrado no majestoso Castelo Sforza em Milão, não será ignorado. O autor de “O Nome da Rosa” deixou um vazio significativo no panorama cultural italiano, e para homenageá-lo, uma “maratona intelectual” digital foi organizada. O evento, que será transmitido pelo YouTube, foi um pedido expresso do autor em seu testamento, após uma década de silêncio.
Essa iniciativa conta com a participação de diversas figuras renomadas, incluindo o escritor israelense Eshkol Nevo, os cartunistas Milo Manara e Igort, o membro da Academia Francesa Pierre Rosenberg e a ex-diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. O programa é um verdadeiro mosaico de contribuições globais e traz uma participação especial da Universidade de Harvard, onde o designer Jeffrey Schnapp dialogará com uma simulação de Eco criada por inteligência artificial.
Novos Trabalhos e Documentários
Durante as celebrações, também foi revelado em Roma um conto inédito de Roberto Cotroneo, intitulado “Umberto”, publicado pela La Nave di Teseo, editora que Eco ajudou a fundar. Além disso, o canal Sky Arte prestou sua homenagem ao intelectual com a estreia do documentário “Umberto Eco: A Biblioteca do Mundo”, que reinterpreta sua vasta coleção de mais de 30 mil volumes, simbolizando uma metáfora da memória universal.
Outra obra em destaque é “L’umana sete di prefazioni – Testi liminari 1956-2015”, editada por Leo Liberti e lançada pela La Nave di Teseo. Essa coletânea reúne introduções e epílogos escritos por Eco ao longo de quase seis décadas, demonstrando a diversidade e a profundidade de seus interesses culturais.
Congresso Internacional na Universidade de Bolonha
Entre 27 e 29 de maio, a Alma Mater Studiorum da Universidade de Bolonha será o palco do primeiro congresso internacional dedicado ao legado de Umberto Eco nos últimos dez anos. O evento foi concebido como um espaço aberto para discutir uma variedade de temas, enfatizando a relevância do pensamento de Eco. Esta será uma celebração de sua obra na mesma universidade onde ele lecionou semiótica e contribuiu para a criação do DAMS (Departamento de Música, Música e Artes Performativas) durante mais de três décadas.
A ideia da “maratona intelectual” foi idealizada pelo especialista em comunicação Roberto Grandi, amigo e colega de Eco, junto com o ex-aluno Michele Cogo, autor de “Fenomenologia de Umberto Eco”; Riccardo Fedriga, diretor científico da Fundação Eco; e Francesca Tancini, responsável pelo projeto da futura Biblioteca Eco na Piazza Puntoni.
Reflexões sobre o Legado de Eco
Em uma entrevista ao jornal Corriere della Sera, Grandi afirmou estar certo de que Eco teria aprovado a homenagem. “Ele pediu dez anos de silêncio, e agora retribuímos esse favor, revelando seu legado ao mundo. Ele certamente teria entrado na brincadeira”, disse.
Quando questionado sobre o legado intelectual deixado por Eco, Grandi refletiu que “o que resta é difícil de replicar. Sua personalidade, moldada pela erudição e pelo sentido de ironia, era única. Ele era um intelectual capaz de moldar a opinião pública. Contudo, as condições que definem seu papel atualmente não existem mais”.


