Morango Fênix promete impulsionar a produção paulista em 2026
Este ano, os consumidores que apreciam morango terão à disposição uma fruta maior e mais doce: o morango Fênix, desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Conhecido como “morangão”, esse fruto começou a chegar ao mercado em escala reduzida no ano passado, mas ganha força para ser a principal variedade da estação em 2026. Além de encantar os paladares, o Fênix pode ser a chave para revitalizar a cultura do morango no estado de São Paulo, preservando o título de “Capital do Morango” da cidade de Atibaia.
Pragas e desafios ameaçaram a produção no interior paulista
A cultura do morango em São Paulo enfrentou sérios desafios nos últimos anos, especialmente devido à praga conhecida como flor preta, ou antracnose, que devastou os morangueiros locais. A variedade utilizada não era resistente à doença, o que agravou o problema. Além disso, a queda nos preços e a ausência de regulamentação para a produção de mudas, que resultava na disseminação de plantas doentes, contribuíram para o declínio do cultivo na região.
Enquanto isso, em Minas Gerais, produtores adotaram mudas importadas de variedades americanas resistentes, como a San Andreas, que hoje representa 60% do cultivo nacional. A busca por soluções levou à criação do morango Fênix, resultado de intensos testes e cruzamentos.
Características e vantagens do morango Fênix frente à concorrência
O nome Fênix foi escolhido por representar a ave que renasce das cinzas, simbolizando a recuperação da cultura do morango, além de referenciar uma constelação sul-americana. A nova variedade adapta-se a todos os climas do Brasil, do litoral paulista até a Bahia, e apresenta frutos significativamente maiores que o San Andreas, além de serem mais doces. O grau Brix, que indica a concentração de açúcar, ultrapassa facilmente os 9º, rivalizando com morangos europeus, embora ainda fique abaixo do Omakase, variedade japonesa de luxo que pode alcançar 15º.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Produzido o ano todo e adaptado ao calor, o morango Fênix tem custos semelhantes ao San Andreas. No varejo, o apelo visual do fruto grande e vermelho intenso garante maior margem de lucro para o produtor, com bandejas de 250 gramas chegando a R$ 19,90 nas capitais. Em termos de produtividade, cada planta gera em média 600 gramas de fruta, contra 500 gramas da variedade americana, segundo manejo adequado.
Retomada do cultivo e novos modelos de produção em São Paulo
Em 2024, a estreia do morango Fênix no mercado foi discreta, ofuscada pela popularidade da “trend” do morango do amor, uma receita com cobertura de leite condensado e calda de maçã do amor. Apesar disso, as perspectivas para 2026 são otimistas, com produtores investindo para ampliar a divulgação da nova variedade.
Nos últimos cinco anos, a área cultivada com morangos no Brasil cresceu de 6 mil para 7 mil hectares, segundo a Embrapa. Em Atibaia, o produtor Kleber Magro é um exemplo da retomada do setor. Após abandonar a lavoura no ano 2000 para plantar crisântemos, ele voltou a investir no morango Fênix em 2025, plantando 30 mil pés e obtendo 50% de lucro sobre o investimento de R$ 480 mil. Para 2026, Magro planeja ampliar o cultivo para 100 mil pés, embora a oferta de mudas no viveiro municipal seja limitada.
Turismo rural e agricultura urbana apostam no morango Fênix
Além da produção tradicional, a nova variedade tem se destacado em iniciativas que unem agricultura e turismo. Em Jundiaí, o Sítio Fragole recebe visitantes para colher morangos diretamente na plantação semihidropônica, valorizando a experiência e permitindo a venda direta ao consumidor por cerca de R$ 40 o quilo.
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Na capital paulista, o bairro do Ipiranga abriga uma fazenda vertical com 1,2 mil pés de morango Fênix distribuídos em 20 andares. O sistema controlado, que não utiliza agrotóxicos, permite controlar fatores como polinização, solo, irrigação, luz e temperatura, garantindo qualidade e produtividade. Criada em 2021 pelo ex-publicitário Diego Gomes Martins, a fazenda 100% Livre já investiu R$ 10 milhões no projeto, que também inclui uma unidade em Osasco.
O objetivo é transformar o Fênix em um morango premium, semelhante ao Oishii japonês, alcançando até 17º no grau Brix e preços comparáveis aos praticados nos EUA, onde cada unidade pode custar até R$ 25 em períodos de alta demanda.
Impactos econômicos e perspectivas para a cultura do morango em São Paulo
A recuperação e inovação na produção do morango em São Paulo, impulsionadas pelo Fênix, trazem efeitos concretos para a economia local. A ampliação das áreas cultivadas, o aumento da produtividade e a valorização do produto no varejo fortalecem a cadeia produtiva, gerando empregos e aumentando a renda dos produtores. O sucesso do morango Fênix mostra como inovação e adaptação podem revitalizar setores tradicionais, preservando títulos como o de “Capital do Morango” e atraindo novos investimentos para a região.


